Durante anos, Dale Atkinson acreditou que seus incômodos eram apenas consequência da rotina intensa. Pai de dois meninos pequenos e profissional da área de saúde e condicionamento físico, ele levava uma vida corrida ao lado da companheira, Ana. O que parecia apenas estresse acumulado acabou se revelando algo muito mais sério.
Aos 35 anos, em outubro de 2024, Dale recebeu o diagnóstico de adenocarcinoma de esôfago, um tipo de câncer que se desenvolve no esôfago, tubo que liga a garganta ao estômago. A doença costuma ser identificada tardiamente porque seus sinais iniciais são facilmente confundidos com problemas digestivos comuns.
Ele relembra que conviveu por muito tempo com azia frequente e refluxo ácido. “Por anos, eu sempre sofri com azia e refluxo, o que atribuía ao estresse e às longas jornadas de trabalho”, contou. Na época, não parecia algo alarmante.
Inicialmente, Dale ignorou seus sintomas.
Sintomas que pareciam comuns
Desde 2019, Dale procurava atendimento médico por causa do refluxo constante, sensação de ácido subindo durante o sono, queimação na garganta e até no nariz, além de cólicas estomacais. Recebeu prescrição de omeprazol e foi orientado a não se preocupar.
Quando retornou ao consultório porque os sintomas pioraram, sentiu que não foi levado a sério. “Fui feito sentir como se estivesse desperdiçando o tempo do sistema público de saúde”, relatou.
Com o passar dos anos, especialmente entre 2023 e 2024, os sinais se tornaram mais intensos. Ele passou a sentir dor após as refeições, dificuldade para engolir e a sensação de que a comida não descia corretamente. Também perdeu peso de forma significativa, sem tentar.
“Revendo tudo, os sinais de alerta estavam ali há muito mais tempo do que eu percebia”, afirmou.
Diagnóstico em meio a perdas
Em 15 de outubro de 2024, data do primeiro aniversário de seu filho mais novo, médicos identificaram um tumor. Cerca de duas semanas depois veio a notícia mais dura: o câncer havia se espalhado para linfonodos, parte superior do abdômen e região próxima à aorta. O diagnóstico foi de estágio IV.
Ele ouviu dos especialistas que a doença era incurável e inoperável. A proposta inicial era tratamento paliativo.
Quase ao mesmo tempo, Ana também recebeu um diagnóstico devastador: câncer de pulmão. Ela precisou passar por uma cirurgia de grande porte naquele mesmo mês.
Como se não bastasse, em 27 de outubro de 2024, a mãe de Dale morreu de forma repentina. A notícia chegou na manhã do aniversário de três anos do filho mais velho.
“Mesmo assim, enchemos a casa de balões, cantamos parabéns e comemoramos, sorrindo apesar da dor”, contou. “Parecia que a vida estava atingindo nossa família repetidas vezes.”
Dale e sua esposa Ana
Novas estratégias de tratamento
Inicialmente, Dale pensou em não realizar quimioterapia. Porém, exames genômicos avançados trouxeram novas informações sobre o perfil do tumor.
“Pela primeira vez, senti que tinha um mapa, não apenas um diagnóstico”, disse. Um dos resultados mais importantes foi a análise de sensibilidade à quimioterapia, que ajudou a orientar a decisão terapêutica.
Após conversar com sua equipe médica, decidiu iniciar o protocolo CAPOX, combinado com imunoterapia à base de pembrolizumabe, em dezembro de 2024.
O tratamento foi descrito por ele como extremamente difícil. A fadiga era intensa e o sistema imunológico ficou comprometido, obrigando a família a se isolar em casa para reduzir riscos de infecção.
Paralelamente, Dale adotou mudanças significativas no estilo de vida. Passou a seguir uma alimentação vegetariana com baixo teor de carboidratos, inspirada no padrão cetogênico. Também iniciou sessões de oxigenoterapia hiperbárica, terapia com luz vermelha e uso de sauna infravermelha.
Exames recentes mostraram resultados animadores. Segundo ele, houve regressão importante das metástases e redução considerável do tumor primário em relação ao maior tamanho já registrado.
“Ainda não é remissão, mas é um progresso real”, afirmou.
Sinais que exigem atenção
O câncer de esôfago pode apresentar sintomas discretos no início. Entre os principais sinais descritos por serviços de saúde estão dificuldade para engolir, náuseas, azia persistente, arrotos frequentes, tosse que não melhora, rouquidão, perda de apetite, emagrecimento involuntário e cansaço extremo.
Também podem ocorrer dor na garganta ou na região central do tórax, especialmente ao engolir, fezes muito escuras e, em casos mais avançados, tosse com sangue.
Como muitos desses sintomas são semelhantes aos de problemas digestivos comuns, a doença pode evoluir silenciosamente por anos antes de ser descoberta.