“Paciente zero” do surto de hantavírus em um navio de cruzeiro teria sido identificado como homem que visitou um lixão infestado de ratos

📅 10/05/2026 👁️ 1 visualizações 🏷️ Saúde

“Paciente zero” do surto de hantavírus em um navio de cruzeiro teria sido identificado como homem que visitou um lixão infestado de ratos

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Um aterro sanitário perto de Ushuaia, no extremo sul da Argentina, virou o ponto central de uma investigação sanitária internacional. O local, frequentado por observadores de aves em busca de espécies raras da Patagônia, pode ter sido a origem de um surto de hantavírus que deixou três mortos e levou à evacuação de passageiros do navio MV Hondius em Tenerife, nas Ilhas Canárias.

O caso começou antes mesmo do cruzeiro partir. Leo Schilperoord, um holandês de 70 anos, viajava pela América do Sul com a esposa, Mirjam Schilperoord. Os dois eram apaixonados por aves e teriam visitado um lixão nos arredores de Ushuaia no fim de março, poucos dias antes de embarcarem no MV Hondius, que saiu da Argentina em 1º de abril.

O destino pode parecer estranho para turistas, mas não para observadores de aves. Aterros e áreas de descarte costumam atrair espécies específicas por causa da concentração de alimento. Segundo relatos, o local era conhecido entre pessoas que buscavam aves patagônicas raras, incluindo espécies como a caminheira-de-barriga-branca.

O problema é que aquele mesmo ambiente também reunia um risco invisível: roedores.

O lixão investigado

Leo Schilperoord foi identificado como

Leo Schilperoord foi identificado como ‘paciente zero’ (Facebook)

Autoridades suspeitam que Leo e Mirjam tenham sido expostos ao vírus Andes no aterro, possivelmente ao respirar partículas contaminadas por fezes, urina ou saliva de roedores infectados. Essa é uma das formas clássicas de transmissão do hantavírus.

A área ficaria a poucos quilômetros de Ushuaia e foi descrita por um guia local como uma “montanha de lixo” que teria ultrapassado os limites originalmente estabelecidos pelas autoridades. Em um ambiente assim, a presença de roedores pode criar um cenário perigoso, especialmente quando há poeira, resíduos orgânicos e circulação de pessoas.

O vírus Andes é associado a roedores silvestres da América do Sul. Quando materiais contaminados secam e são remexidos, pequenas partículas podem ficar suspensas no ar. Uma pessoa pode se infectar sem tocar diretamente em um animal.

Foi essa possibilidade que colocou o lixão no centro do caso. Não se trata apenas de um detalhe curioso da viagem, mas do provável primeiro elo da cadeia de contágio.

Do aterro ao cruzeiro

Depois da visita ao local, o casal embarcou no MV Hondius. Durante a viagem, Leo ficou doente e morreu. Mais tarde, Mirjam também morreu em decorrência da infecção. Uma terceira morte, de um passageiro alemão, foi confirmada.

O caso preocupou as autoridades porque a cepa envolvida, o vírus Andes, é uma das poucas formas de hantavírus com transmissão documentada entre humanos. Isso não significa que ela se espalhe com facilidade como uma gripe, mas o risco existe em contato próximo.

Em um navio, esse detalhe muda tudo. Passageiros dividem corredores, áreas comuns, refeições e espaços fechados por vários dias. Por isso, quando os casos foram identificados, a embarcação passou a ser tratada como um ambiente de alto risco.

A investigação tenta entender se todos os casos vieram da exposição inicial no lixão ou se parte das infecções ocorreu depois, já durante o cruzeiro.

O aterro argentino é supostamente um local popular para observação de pássaros

O aterro argentino é supostamente um local popular para observação de pássaros

Sintomas e evacuação

O hantavírus pode levar de uma a oito semanas para causar sintomas. No início, a doença parece comum: febre, cansaço, dores musculares, dor de cabeça, tontura, calafrios, náusea, vômito e diarreia. Depois, o quadro pode evoluir para tosse e falta de ar.

A forma grave é chamada de síndrome pulmonar por hantavírus. Ela atinge os pulmões e pode avançar rapidamente. No caso do vírus Andes, a taxa de mortalidade é considerada alta, variando entre 20% e 40%.

Em 10 de maio de 2026, os passageiros restantes começaram a ser retirados do MV Hondius em Tenerife. A evacuação foi organizada por nacionalidade. Quem testou negativo e não apresentava sintomas foi encaminhado para voos especiais de repatriação com acompanhamento médico e equipamentos de proteção.

O caso chama atenção porque une três cenários improváveis em uma mesma linha: um lixão usado como ponto de observação de aves, roedores portadores de um vírus raro e um navio de expedição transformado em foco de vigilância sanitária.