Dor no quadril e inchaço abdominal pareciam sintomas comuns na rotina de uma jovem ativa. Foi assim que começou a trajetória de Tamara Mulley, moradora de Londres, no Reino Unido, que anos depois descobriria estar diante de um câncer raro e agressivo.
Os primeiros episódios de inchaço surgiram ainda na adolescência, aos 16 anos. Ao longo do tempo, ela mencionou o desconforto em consultas médicas, mas nada indicava algo mais grave. Em janeiro de 2023, já com 28 anos, uma nova queixa apareceu: dor persistente no quadril e cansaço frequente. A princípio, Tamara acreditou ter exagerado nos exercícios na academia.
Em fevereiro, como a dor não melhorava, procurou atendimento médico. Recebeu encaminhamento para fisioterapia e para avaliação ginecológica, sob suspeita de algo semelhante à endometriose. O problema era o tempo de espera: cerca de dez meses até a consulta especializada.
Enquanto aguardava, os sintomas se intensificaram.
Em outubro, a dor no quadril ficou tão forte que ela precisou buscar atendimento de urgência para conseguir analgésicos. Mesmo assim, ainda não havia um diagnóstico claro.
No fim de 2023, novos sinais começaram a surgir.
Tamara Mulley recebeu um prognóstico de apenas 2 anos de vida quando foi diagnosticada com câncer (PA Real Life).
Sintomas que mudaram o rumo
Em dezembro, Tamara desenvolveu uma tosse intensa. Não era uma gripe comum. O cansaço se tornou incapacitante.
“Não foi até dezembro de 2023 que tive uma tosse muito forte, e os sintomas me derrubaram de um jeito que nunca tinha acontecido antes. Normalmente você consegue seguir com a vida, mas eu estava extremamente fatigada”, contou à PA Real Life.
Ela relatou dificuldade até para permanecer em pé no trabalho. “Eu não conseguia ficar muito tempo de pé e, se fosse até a mesa de alguém, precisava me sentar. E pensei: isso não é normal.”
Além da fadiga, houve perda de peso. Ao mencionar falta de ar ao médico, foi orientada a procurar o pronto-socorro.
Um raio X revelou uma pequena sombra. O passo seguinte foi uma tomografia. Dias depois, veio a ligação pedindo que ela comparecesse ao centro oncológico do hospital Guy’s, em Londres, para realizar um PET scan.
O exame mostrou a extensão do problema.
Tamara, agora com 29 anos, vista com seu parceiro, Nathan (PA Real Life)
O diagnóstico inesperado
Em janeiro de 2024, Tamara recebeu a notícia: colangiocarcinoma em estágio 4, também conhecido como câncer das vias biliares. Trata-se de um tumor que atinge os ductos que transportam a bile do fígado para o intestino. Segundo informações do sistema público de saúde britânico, os sintomas mais comuns incluem icterícia, coceira na pele, urina escura, fezes claras, perda de apetite, perda de peso, fadiga e febre.
No caso dela, apenas dois desses sinais estavam presentes: perda de peso e cansaço.
Quando observou as imagens dos exames, a dimensão da doença ficou evidente. “Mostrava que o câncer já tinha se espalhado para o meu quadril, minha coluna, minha clavícula, múltiplos tumores nos pulmões e um tumor grande no fígado, entre outros lugares”, relatou.
“Quando vi os exames, parecia uma árvore de Natal iluminada. Estava por toda parte.”
Aos 29 anos, Tamara ouviu dos médicos que teria cerca de dois anos de expectativa de vida. A sensação foi de impotência diante da informação.
Ela iniciou quimioterapia e passou por 15 ciclos de tratamento. Durante um período, houve controle da doença, mas posteriormente os medicamentos deixaram de surtir efeito.
Diante desse cenário, passou a participar de um estudo clínico chamado First-308, uma terapia direcionada que atua em alvos específicos das células tumorais. Segundo ela, o novo tratamento começou a reduzir alguns tumores.
A história de Tamara reúne sintomas inicialmente inespecíficos, longos períodos de espera por atendimento especializado e um diagnóstico que só foi confirmado quando a doença já estava avançada. Atualmente, ela compartilha sua experiência enquanto segue em tratamento experimental.