Médico revela ligação entre sexo oral e câncer de garganta enquanto pai fica “surpreso” ao receber diagnóstico

📅 06/08/2025 👁️ 5 visualizações 🏷️ Saúde

Em novembro de 2023, Frank Lane, um britânico, percebeu um caroço firme no lado direito do pescoço. Tinha o tamanho de um ovo cozido. Ele achou que pudessem ser glândulas inchadas após um treino na academia.

Duas semanas depois, sem mudanças, ele foi ao médico. Ao examinar sua garganta, a médica viu o nódulo projetando-se do topo de uma das amígdalas. Uma biópsia foi realizada. Dez dias depois, veio o diagnóstico: câncer de garganta.

A causa surpreendeu Frank. Os médicos explicaram que o câncer foi provavelmente causado pelo Papilomavírus Humano, o HPV. O vírus, segundo eles, foi contraído por Frank cerca de 40 anos antes, durante seu serviço no exército, através do contato sexual oral. Essa via de transmissão é um fator de risco significativo para um tipo específico de câncer na região da orofaringe (que inclui as amígdalas e a base da língua).

O HPV não é incomum. Existem mais de 200 tipos diferentes, e ele representa a infecção sexualmente transmissível (IST) mais comum nos Estados Unidos. Muitas pessoas associam o HPV principalmente a verrugas genitais ou ao câncer do colo do útero. Contudo, sua ligação com o câncer de orofaringe é cada vez mais reconhecida e estudada.

Por que o sexo oral entra nessa história? O vírus HPV, quando transmitido oralmente, pode infectar as células da garganta. Na maioria das pessoas, o sistema imunológico elimina o vírus naturalmente, sem consequências graves.

No entanto, para uma minoria, isso não acontece. Especialistas, como o Dr. Hisham Mehanna da Universidade de Birmingham, explicam que uma possível falha em um aspecto específico do sistema imunológico pode impedir a eliminação do vírus. Nesses casos, o HPV persiste e se replica.

Com o tempo, em alguns indivíduos, o material genético do vírus pode se integrar ao DNA das células infectadas na garganta. Essa integração aleatória pode, em certas situações, desencadear mudanças que transformam essas células em cancerosas. O processo é lento e silencioso, podendo levar décadas, como aconteceu com Frank.

Quanto maior a exposição ao vírus, maior o risco. Pesquisas indicam que o número de parceiros sexuais ao longo da vida, especialmente parceiros com quem se pratica sexo oral, é um fator crucial. Indivíduos que relatam seis ou mais parceiros de sexo oral ao longo da vida têm um risco 8,5 vezes maior de desenvolver câncer de orofaringe