Puxar um pelo encravado na região íntima pode parecer uma solução rápida, quase automática. A pessoa vê uma bolinha, sente incômodo, pega uma pinça e tenta resolver em segundos. Mas, segundo o médico Tony Banerjee, da HarleyDoc, esse gesto simples pode transformar uma irritação pequena em um problema bem mais doloroso.
Os pelos encravados aparecem quando o fio curva de volta ou cresce de lado, entrando na pele em vez de sair normalmente. Isso provoca uma reação inflamatória local, que pode deixar a área avermelhada, sensível, inchada e com coceira. O problema é ainda mais comum em regiões que passam por depilação ou barbear frequente, como virilha, axilas, peito e rosto.
Na região íntima, a pele costuma ser mais sensível e o atrito com roupas apertadas pode piorar o quadro. Por isso, tentar arrancar o pelo quando ele ainda está preso sob a pele pode abrir uma pequena porta para bactérias.
O risco escondido na pinça
De acordo com Banerjee, “os pelos encravados ocorrem quando um pelo curva de volta ou cresce de lado para dentro da pele, desencadeando uma resposta inflamatória local”.
Ele explica que, quando as pessoas tentam puxá-los, especialmente se o fio ainda está preso abaixo da superfície, acabam criando microtraumas na pele ao redor. Esses pequenos ferimentos rompem a barreira natural da pele e podem introduzir bactérias no folículo, mais comumente a Staphylococcus aureus.
O resultado pode ser uma inflamação mais intensa. A área pode ficar mais vermelha, inchada, dolorida e, em alguns casos, evoluir para foliculite, pequenas pústulas ou até abscessos. Mexer repetidamente no local também aumenta o risco de manchas pós-inflamatórias e cicatrizes, principalmente em pessoas com tons de pele mais escuros.
A pressa é uma das grandes vilãs. Segundo o médico, um erro comum é tentar remover o pelo cedo demais, antes que ele esteja perto o suficiente da superfície. Usar pinças, agulhas ou os próprios dedos para “cavar” a pele tende a fazer mais mal do que bem.
Alguns erros frequentes incluem:
• usar ferramentas não esterilizadas
• espremer a área com força
• puxar o pelo pela raiz em vez de apenas soltá-lo da pele
• passar esfoliantes agressivos quando a pele já está inflamada
• raspar a região com lâminas cegas ou sem cuidado
Quando procurar atendimento médico
Nem todo pelo encravado exige consulta. Muitas vezes, ele melhora sozinho quando a pele é deixada em paz. O problema começa quando há sinais de infecção ou inflamação intensa.
Segundo o NHS, serviço público de saúde do Reino Unido, é recomendado procurar um médico se o pelo encravado ou a área ao redor estiver extremamente dolorida, inchada ou quente. Também é importante buscar atendimento se houver febre, sensação de calor no corpo ou mal-estar.
Em alguns casos, o médico pode remover o fio com um bisturi esterilizado. Se houver irritação importante, pode ser indicado um creme com corticoide. Quando existe infecção mais séria, antibióticos podem ser necessários.
A prevenção passa por cuidados simples, mas constantes. Aparar os pelos em vez de raspar rente demais pode reduzir o risco. Também ajuda usar equipamentos limpos, evitar lâminas velhas, não esticar demais a pele durante o barbear e respeitar qualquer sinal de irritação. Quando a pele já está vermelha ou sensível, insistir na depilação é como mexer em um alarme que já está tocando.