Jovem com câncer ósseo relata abandono dos pais e paga tratamento com doações

📅 24/10/2026 👁️ 1 visualizações 🏷️ Saúde
Jovem chinesa Xia Shiwei usando máscara hospitalar, com fotografias de sua recuperação e exames médicos.

A chinesa Xia Shiwei, conhecida nas redes sociais como Xia Xia, descobriu que tinha câncer ósseo em 2021, aos 18 anos, depois de desmaiar durante o exame nacional de acesso à universidade. Moradora da província de Anhui, na China, ela precisou amputar a perna direita e passou por sucessivas cirurgias. Em janeiro de 2026, aos 23 anos, contou ao jornal chinês Xinmin Wanbao que enfrentava o tratamento com pouco apoio familiar e dependia de doações para pagar aproximadamente 90% das despesas médicas.

Segundo seu relato, o pai deixou de visitá-la depois do diagnóstico, enquanto a mãe interrompeu o contato posteriormente. A jovem também afirmou ter precisado assinar sozinha documentos autorizando algumas de suas operações.

O diagnóstico durante o exame de acesso à universidade

Os primeiros sintomas apareceram quando Xia ainda estudava para ingressar no ensino superior. Sua perna direita começou a apresentar dores intensas, que dificultavam até mesmo caminhar entre as salas de aula.

Apesar disso, ela decidiu continuar os estudos. Durante uma prova de matemática, perdeu a consciência, mas conseguiu retomar o exame depois de se recuperar.

Uma reportagem publicada em novembro de 2021 pelo China Youth já documentava sua história, incluindo o diagnóstico, a amputação e o ingresso em uma faculdade de formação de professores na cidade de Hefei.

Os médicos identificaram um osteossarcoma, tumor maligno que se desenvolve no tecido ósseo. Xia recebeu quimioterapia, mas a extensão da doença exigiu a amputação da perna direita.

Segundo informações posteriormente divulgadas pelo departamento de tumores ósseos do Hospital Popular Nº 1 de Xangai, o tumor comprometia estruturas próximas ao quadril, incluindo vasos sanguíneos e nervos, o que dificultava preservar o membro.

O afastamento dos pais e as despesas médicas

Xia relatou que a relação com os pais se deteriorou durante o tratamento. Segundo o South China Morning Post, a jovem afirmou que sua mãe chegou a chamá-la de “fardo”.

O episódio é baseado no relato da paciente. Não há confirmação independente da frase nem uma versão pública dos pais nas fontes consultadas.

Um registro de arrecadação beneficente de 2021, organizado pela Associação de Caridade de Zhengzhou, informa que a mãe acompanhou Xia durante uma viagem para tratamento em Pequim. O documento mostra que houve participação materna naquela fase, embora não esclareça como a relação evoluiu posteriormente.

Em entrevista ao Xinmin Wanbao, Xia explicou que passou por seis grandes cirurgias e assinou pessoalmente o consentimento para aproximadamente quatro delas.

A primeira autorização assinada sozinha, segundo ela, ocorreu aos 19 anos, antes de uma operação pulmonar. A jovem contou que ficou com as mãos trêmulas ao ler os riscos descritos no documento.

Para obter dinheiro, começou a vender bonecos de crochê nas ruas. Também publicou textos sobre sua doença na plataforma chinesa Zhihu e, a partir de 2022, passou a produzir vídeos.

Seu perfil no Douyin, versão chinesa do TikTok, ganhou seguidores e passou a receber contribuições financeiras.

Na entrevista de janeiro de 2026, a jovem informou que as doações representavam cerca de 90% dos custos de seu tratamento. O percentual foi relatado por ela, sem divulgação de uma prestação de contas completa que permita verificá-lo independentemente.

Novas metástases e a tentativa de continuar o tratamento

A amputação não encerrou o tratamento. O câncer voltou a aparecer nos pulmões, exigindo novas intervenções.

Conforme informações médicas reproduzidas pelo jornal Shangguan News, Xia passou a ser acompanhada pelo Hospital Popular Nº 1 de Xangai em agosto de 2023. Desde então, realizou dez ciclos de quimioterapia e duas cirurgias naquela instituição.

Em novembro de 2024, passou por uma operação para retirar o lobo inferior do pulmão direito.

Em 5 de janeiro de 2026, publicou um vídeo informando que novos exames haviam identificado comprometimento das costelas e da pleura, membrana que reveste os pulmões.

Naquele mês, procurou o Hospital Ruijin, em Xangai, onde médicos avaliaram uma combinação de quimioterapia, medicamentos direcionados ao tumor e cirurgia.

No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) explica que o osteossarcoma é o tumor ósseo maligno mais comum entre crianças e adolescentes. O tratamento costuma combinar quimioterapia e cirurgia, podendo envolver amputação quando não é possível preservar o membro com segurança.

Em suas redes sociais, Xia chegou a preencher o campo de idade com o número 100, uma referência ao desejo de alcançar essa idade.

As informações médicas publicadas em janeiro de 2026 confirmavam a avaliação de novas opções terapêuticas, mas não estabeleciam uma previsão individual de sobrevivência. As fontes verificadas não documentam o resultado posterior dMisterios do Mundo. Cópias não são autorizadas.