A relação de Sean Holland com o álcool começou cedo. Aos 18 anos, ele passou a beber cerveja como uma forma de aliviar a ansiedade e o transtorno do pânico. O que parecia uma tentativa de controle emocional acabou se transformando em dependência progressiva.
Aos 21 anos, já apresentava tremores enquanto trabalhava. Eram os chamados sintomas de abstinência, conhecidos popularmente como “tremedeira do álcool”. Mesmo em horário de expediente, precisava beber para conseguir manter as funções básicas do dia.
Com o passar dos anos, as quantidades aumentaram drasticamente. Segundo ele, por volta dos 24 anos consumia cerca de seis garrafas de vinho por dia, porque a cerveja “já não fazia mais efeito”. O padrão continuou a escalar.
Aos 23 anos, começava o dia ingerindo aproximadamente 250 mililitros de vodca ou “duas a três cervejas” antes mesmo de conseguir funcionar normalmente. Depois, a dependência atingiu um novo nível. Aos 25, bebia uma garrafa inteira de vodca entre 5h e 11h da manhã apenas para evitar vômitos ou crises convulsivas.
O custo diário chegava a cerca de 55 libras esterlinas em bebidas alcoólicas. Sob efeito do álcool, tornava-se agressivo e chegou a ser preso diversas vezes.
Sean lutou contra o alcoolismo por vários anos (Kennedy News and Media)
Escalada perigosa e tentativa de suicídio
Em março do ano passado, o consumo havia chegado a dois a três litros de vodca pura por dia. Foi nesse período que ele decidiu se hospedar em um hotel com a intenção de tirar a própria vida.
“Desmaiei naquela noite e acordei no dia 20 de março. Até hoje não sei o que aconteceu comigo”, contou. “Só sei que eu estava acabado. Pensei: não consigo mais fazer isso.”
No dia do que seria seu aniversário, os pais entraram no quarto do hotel e o encontraram caído no chão, com a porta aberta e em convulsão. Ele foi socorrido de ambulância e levado ao hospital em estado grave.
Os exames revelaram um quadro alarmante para alguém de apenas 27 anos: hepatite alcoólica, baço inflamado, danos renais e pancreatite. Seu organismo estava entrando em falência.
Em determinado momento, ele estava “consumindo cerca de seis garrafas de vinho por dia” (Kennedy News and Media).
O corpo completamente amarelo
Durante a internação, o estado físico se deteriorou rapidamente. A urina adquiriu coloração escura com presença de sangue, e a pele começou a mudar de cor.
“Eu estava amarelo da cabeça aos pés. Meus órgãos estavam parando”, relatou. “Ainda não sei como estou vivo.”
A tonalidade amarelada começou pelos olhos e, em poucos dias, espalhou-se pelo corpo inteiro. Em quatro dias de hospital, estava completamente amarelo. A condição persistiu por cerca de três meses. Só depois desse período o branco dos olhos voltou à coloração normal.
Amigos faziam piadas comparando-o a personagens de desenho animado. Ele dizia que apenas ria, pois já não se importava com nada. “Eu cheguei ao fundo do poço de um jeito que não ligava para mais nada.”
Ele foi levado às pressas para o hospital (Kennedy News and Media).
O que causa a icterícia
O amarelamento do corpo é chamado de icterícia. Ele ocorre quando há excesso de bilirrubina no sangue. A bilirrubina é uma substância amarelada produzida durante a quebra natural das hemácias antigas.
Normalmente, o fígado processa essa substância e a elimina. Quando o órgão está inflamado ou danificado, como nos casos de hepatite alcoólica, ele perde essa capacidade. A bilirrubina então se acumula na corrente sanguínea e se deposita na pele e na parte branca dos olhos.
No caso de Sean, o consumo extremo de álcool comprometeu severamente o fígado, desencadeando o quadro de icterícia intensa e outras complicações sistêmicas.
As consequências do seu consumo de álcool fizeram com que todo o seu corpo ficasse amarelo (Kennedy News and Media).
Reabilitação e nova rotina
Após receber alta hospitalar, ele passou dois meses em reabilitação. Hoje está há 11 meses sóbrio e trabalha ajudando outras pessoas que enfrentam o alcoolismo.
“Minha vida mudou de maneiras que não consigo explicar”, afirmou. “Recuperei minha família, tenho uma renda estável e amigos que me fazem bem.”
Ele também deixa uma mensagem para quem enfrenta o mesmo problema: “Sempre existe uma luz no fim do túnel, não importa o que você pense. Se eu consegui superar, qualquer um consegue.”
A trajetória de Sean expõe como o alcoolismo pode evoluir rapidamente de um mecanismo de fuga emocional para um quadro clínico grave, afetando múltiplos órgãos e colocando a vida em risco ainda na juventude.