Um britânico de 62 anos levou um susto ao descobrir que um tumor na garganta estava associado a um vírus contraído décadas antes. Pai de dois filhos, ele procurou ajuda médica após notar um inchaço incomum no pescoço, algo que inicialmente parecia inofensivo.
Tudo começou em novembro de 2023. Enquanto se barbeava, ele percebeu um caroço firme do lado direito do pescoço, com tamanho semelhante ao de um ovo. A primeira explicação que encontrou foi simples: talvez fosse consequência de esforço físico na academia ou apenas um gânglio inflamado.
Duas semanas se passaram e o inchaço continuava ali, sem diminuir. A persistência do sintoma o levou a marcar uma consulta. Ao examiná-lo, a médica identificou algo visível na região das amígdalas. “Quando a médica olhou dentro da minha boca, ela conseguiu ver saindo da parte superior das minhas amígdalas, era do tamanho de um ovo cozido”, contou.
Além do caroço, ele relatava cansaço constante. Acordava três ou quatro vezes por noite para ir ao banheiro. Mesmo assim, atribuía esses sinais ao estresse profissional e à idade.
Após a consulta inicial, foi realizada uma biópsia. Dez dias depois veio a confirmação: câncer de garganta.
O diagnóstico inesperado
A notícia foi recebida com incredulidade. Ele havia parado de fumar havia cerca de dez anos e não se considerava dentro de um grupo de risco clássico. “Quando disseram que eu tinha câncer de garganta, por um segundo achei que estavam falando bobagem”, afirmou. “Lembro de pensar: do que você está falando?”
Os médicos identificaram a presença do papilomavírus humano, conhecido como HPV, como provável causa do tumor. O vírus é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns no mundo e pode permanecer no organismo por décadas antes de provocar alterações celulares.
Segundo os especialistas que o acompanharam, a infecção teria ocorrido cerca de 40 anos antes, quando ele tinha em torno de 20 anos e servia ao Exército. “Eu estava me divertindo, mas não saía com um monte de garotas diferentes”, explicou.
Ele também comentou a reação de colegas de trabalho ao saberem da origem da doença. “Quando disseram que eu tinha câncer de garganta por causa de sexo oral, foi uma surpresa. Alguns colegas riram, não porque eu tinha câncer, mas pela forma como aconteceu.” Depois que sugeriu que pesquisassem sobre o tema, o clima mudou. “Eu disse para pesquisarem e vi a cor sumir do rosto deles.”
Tratamento intenso e recuperação
O tratamento envolveu duas sessões de quimioterapia seguidas por seis semanas de radioterapia. O processo foi descrito como extremamente doloroso. “Fiquei 12 anos no Exército e aquilo foi a coisa mais dolorosa que já vivi”, relatou.
A radioterapia na região da garganta costuma causar efeitos colaterais importantes, como dor ao engolir, inflamação e fadiga intensa. Ainda assim, o protocolo foi concluído conforme o planejado.
Após o término das sessões, os exames indicaram que não havia mais sinais detectáveis da doença. Desde então, ele realiza acompanhamento médico a cada dois meses para monitoramento.
Em tom bem-humorado, chegou a brincar: “Meu conselho seria não fazer sexo oral.” Em seguida, adotou um posicionamento mais sério: “Para quem não consegue seguir isso, o conselho é que, se notar qualquer sintoma diferente, não ignore. Vá verificar.”
Especialistas destacam que existem vacinas contra o HPV e exames de rotina que ajudam a reduzir riscos associados ao vírus. Em muitos casos, a infecção não causa sintomas e é eliminada pelo próprio organismo. Em outros, pode permanecer silenciosa por anos antes de se manifestar.