Estudo liga ultraprocessados vegetais a maior risco de ganho de peso

📅 30/10/2026 👁️ 1 visualizações 🏷️ Saúde
Hambúrgueres vegetais com folhas verdes, tomate e molho servidos em pães

Pesquisadoras brasileiras e britânicas identificaram uma associação entre o consumo de alimentos vegetais ultraprocessados e o aumento do índice de massa corporal (IMC) e da circunferência da cintura. O resultado aparece em um estudo publicado em 2 de julho de 2026 na revista científica eClinicalMedicine, com dados de 17.374 adultos acompanhados no Reino Unido.

A pesquisa foi conduzida por Patrícia de Fragas Hinnig, Ana Giulia Forjaz Grassi, Kiara Chang, Eszter P. Vamos, Renata Bertazzi Levy e Fernanda Rauber, com participação de instituições brasileiras e do Imperial College London. A análise utilizou informações do UK Biobank, um banco de dados que acompanha a saúde de milhares de britânicos.

O que os pesquisadores encontraram

Os participantes tinham entre 40 e 69 anos quando foram recrutados. A alimentação foi registrada entre 2009 e 2012, por meio de dois a cinco questionários sobre o que cada pessoa havia consumido nas 24 horas anteriores. As medidas corporais foram avaliadas em visitas realizadas até 2019. O acompanhamento médio foi de 5,3 anos.

Os alimentos foram divididos conforme a origem, vegetal ou animal, e o grau de processamento, segundo a classificação Nova. Entre os 17.374 participantes, 2.477 apresentaram aumento de pelo menos 5% no IMC e 4.567 tiveram crescimento de pelo menos 5% na circunferência da cintura.

A cada aumento de 10 pontos percentuais na participação de alimentos vegetais não ultraprocessados nas calorias consumidas, os pesquisadores encontraram uma taxa de ocorrência 11% menor para elevação de pelo menos 5% no IMC e 10% menor para aumento equivalente na cintura.

Para os vegetais ultraprocessados, a relação foi inversa: o mesmo acréscimo de 10 pontos percentuais esteve associado a uma taxa 10% maior de aumento do IMC e 9% maior de aumento da circunferência abdominal.

Os resultados foram ajustados para fatores como atividade física, tabagismo e condições socioeconômicas. As conclusões também foram divulgadas pelo Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens), da USP.

Vegetal não significa minimamente processado

A categoria vegetal usada no estudo é mais ampla que os substitutos de carne vendidos como hambúrgueres e linguiças. Ela inclui produtos derivados de grãos, pães e outros alimentos de origem vegetal. Portanto, os dados não permitem atribuir o risco observado a um hambúrguer vegetal específico.

A classificação Nova separa alimentos in natura ou minimamente processados, ingredientes culinários, alimentos processados e ultraprocessados.

Entre os vegetais não ultraprocessados estão frutas, hortaliças e grãos, mas a categoria do estudo também abrange alimentos processados que não se enquadram como ultraprocessados.

Na análise de substituição alimentar, uma maior proporção de vegetais não ultraprocessados no lugar de produtos ultraprocessados, fossem vegetais ou animais, esteve associada a indicadores de peso mais favoráveis.

Essa comparação foi estimada por modelos estatísticos, não por uma intervenção que alterou a dieta dos participantes.

O que os resultados significam no Brasil

O Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, já recomenda dar preferência a alimentos in natura ou minimamente processados e evitar ultraprocessados.

Isso também se aplica a produtos apresentados comercialmente como vegetais, mas formulados com ingredientes industriais e aditivos.

Há dados de acompanhamento de brasileiros na mesma direção. Outro estudo, com 24.453 participantes da coorte NutriNet-Brasil, encontrou associação entre maior consumo total de ultraprocessados e ganho de peso.

A cada acréscimo de 10 pontos percentuais na participação desses produtos nas calorias da dieta, houve aumento de 5% na taxa de ocorrência de ganho de pelo menos 5% do peso corporal. Esse segundo trabalho não examinou especificamente ultraprocessados de origem vegetal.

O que o estudo ainda não consegue explicar

Os autores do estudo britânico destacam algumas limitações. A dieta foi informada pelos próprios participantes, alguns alimentos podem ter sido classificados de forma imprecisa e mudanças alimentares ao longo do acompanhamento não foram avaliadas.

A coleta de consumo, feita de 2009 a 2012, também antecede a expansão recente de substitutos vegetais industrializados. Por isso, os resultados não representam necessariamente a composição dos produtos atualmente disponíveis nos supermercados.

Por se tratar de um estudo observacional, os resultados não comprovam que esses alimentos causam ganho de peso. Outros fatores