Americana toma vacina pelo SUS e diz ter economizado US$ 400
A americana Lisa Dabahdest, moradora de Los Angeles, na Califórnia, relatou ter recebido gratuitamente uma vacina contra a febre amarela em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) de São Paulo durante uma viagem ao Brasil, realizada aproximadamente um ano e meio antes de outubro de 2026. Segundo a criadora de conteúdo, o mesmo procedimento custaria US$ 400 em sua cidade.
A experiência foi divulgada inicialmente no TikTok e voltou a ser notícia em outubro de 2026, após a circulação de uma publicação no Instagram. O caso foi relatado pelo Metrópoles, em reportagem publicada em 25 de outubro.
O atendimento gratuito a estrangeiros está previsto nas regras do Sistema Único de Saúde (SUS). Já a economia de US$ 400 corresponde ao valor informado por Lisa, sem comprovação independente de um orçamento específico de uma clínica americana.
Como a vacinação entrou nos planos da viagem
Segundo Lisa, a visita ao Brasil já estava planejada quando ela descobriu que poderia receber a vacina gratuitamente pela rede pública brasileira.
A informação apareceu cerca de duas semanas antes do embarque, durante pesquisas sobre clínicas particulares e serviços de vacinação. Ela procurava uma alternativa para se proteger contra a febre amarela antes de realizar outras viagens internacionais.
A americana contou que, durante uma passagem anterior pelo Panamá, havia deixado de conhecer determinadas regiões porque não estava vacinada. A experiência influenciou sua decisão de buscar a imunização.
Entre os destinos que pretendia visitar futuramente estavam países da África Ocidental, onde a febre amarela representa um risco sanitário em determinadas regiões.
Lisa afirmou que estaria disposta a pagar pela aplicação, caso fosse necessário. Ao chegar a São Paulo, porém, conseguiu receber o imunizante sem cobrança, conforme seu relato.
A publicação atribuída à americana no Instagram foi localizada, mas seu conteúdo integral não pôde ser acessado diretamente nesta apuração. Os detalhes da experiência foram confrontados com as reportagens disponíveis. Não foi possível verificar de forma independente o comprovante individual de vacinação nem o orçamento de US$ 400.
Por que estrangeiros podem receber vacinas pelo SUS
O acesso de Lisa ao serviço público brasileiro é compatível com o princípio da universalidade do SUS, que permite o atendimento de pessoas presentes no território nacional, incluindo estrangeiros e turistas.
O Ministério da Saúde confirma em suas orientações para viajantes que as vacinas recomendadas são oferecidas gratuitamente nos serviços públicos de vacinação.
Para receber uma dose, o viajante deve procurar uma unidade de saúde com documento de identificação e cartão de vacinação, caso possua. A equipe responsável avalia o histórico vacinal, a indicação médica e as condições necessárias para a aplicação.
A gratuidade não significa que qualquer pessoa possa receber qualquer vacina automaticamente. A aplicação depende das recomendações sanitárias, das condições clínicas e da disponibilidade do imunizante.
Nos Estados Unidos, a situação é diferente. Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), os preços das vacinas para viajantes variam conforme o estabelecimento e a cobertura do seguro de saúde.
Por isso, os US$ 400 mencionados por Lisa não representam uma tarifa nacional obrigatória. O valor corresponde à estimativa relatada pela própria americana para receber o imunizante em Los Angeles.
O que brasileiros precisam saber sobre a vacina
A febre amarela é uma doença viral transmitida por mosquitos infectados. Nos casos graves, pode provocar comprometimento do fígado, hemorragias e insuficiência de órgãos.
No Brasil, a vacinação integra o Programa Nacional de Imunizações. O calendário prevê uma dose aos 9 meses de idade e reforço aos 4 anos. Para pessoas não vacinadas entre 5 e 59 anos, a orientação geral é de dose única.
As recomendações do Ministério da Saúde também estabelecem cuidados específicos para gestantes, pessoas imunossuprimidas e indivíduos com 60 anos ou mais, que podem precisar de avaliação individualizada.
Outro ponto relevante para quem pretende viajar é o prazo de proteção. A vacina deve ser aplicada pelo menos dez dias antes da entrada em áreas de risco, período necessário para o organismo desenvolver a resposta imunológica.
O Brasil não exige comprovante de vacinação contra febre amarela para a entrada de turistas estrangeiros, mas determinados países exigem o Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia (CIVP).
De acordo com o serviço oficial de emissão do certificado, o documento passa a valer dez dias após a vacinação e permanece válido por toda a vida.
O certificado pode ser solicitado gratuitamente por pessoas vacinadas no Brasil, incluindo estrangeiros. Quem não possui CPF também pode fazer a solicitação por intermédio de uma pessoa com CPF e conta Gov.br, seguindo as instruções do serviço federal.
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