Tatiana Sampaio tem estudo publicado e campanha pelo Nobel, sem indicação confirmada

📅 24/10/2026 👁️ 1 visualizações 🏷️ Saúde
Pesquisadora brasileira Tatiana Coelho de Sampaio, da UFRJ, responsável por pesquisas com polilaminina.

A bióloga brasileira Tatiana Coelho de Sampaio, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), participou de uma pesquisa sobre recuperação de lesões na medula espinhal publicada em 4 de agosto de 2026 na revista científica internacional Spinal Cord, do grupo Nature. O estudo apresentou resultados de oito pacientes tratados experimentalmente com polilaminina em hospitais brasileiros. Paralelamente, uma campanha iniciada nas redes sociais defende que a pesquisadora seja indicada ao Prêmio Nobel de Medicina, embora não exista confirmação pública de uma indicação formal.

Tatiana lidera há mais de duas décadas pesquisas envolvendo a polilaminina, uma substância desenvolvida em laboratório a partir da laminina, proteína naturalmente presente no organismo humano. O projeto investiga sua capacidade de favorecer a recuperação de conexões nervosas danificadas por traumatismos.

A pesquisa publicada na Spinal Cord passou por revisão científica por pares e apresentou resultados que justificam novas investigações. Os próprios autores, entretanto, afirmam que os dados disponíveis ainda não demonstram a eficácia do tratamento.

O que aconteceu com os oito pacientes

O estudo piloto acompanhou oito pessoas que sofreram lesões traumáticas graves na medula espinhal entre dezembro de 2016 e janeiro de 2021. Os participantes tinham entre 23 e 69 anos e apresentavam comprometimento neurológico inicialmente classificado como completo.

Cada paciente recebeu uma aplicação de polilaminina diretamente na região lesionada da medula, em média 2,3 dias depois do acidente. O acompanhamento previsto foi de 12 meses, com avaliações neurológicas e exames complementares.

Segundo o artigo científico original, seis dos oito participantes apresentaram melhora de pelo menos dois níveis na escala neurológica AIS, utilizada internacionalmente para classificar lesões medulares.

Três participantes morreram durante o acompanhamento. Uma dessas pessoas havia apresentado melhora neurológica antes de morrer. As mortes foram analisadas pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) e por um consultor clínico externo, que não identificaram relação com a aplicação da substância.

Os pesquisadores também relataram alterações favoráveis em exames neurofisiológicos de três pacientes.

Esses resultados, porém, não significam que seis pessoas voltaram a andar. A escala AIS avalia diferentes graus de função motora e sensibilidade, e uma melhora na classificação não equivale necessariamente à recuperação completa dos movimentos.

O estudo também não incluiu um grupo de controle, formado por pacientes semelhantes que não recebessem a substância. Isso impede determinar quanto da recuperação observada ocorreu devido à polilaminina, à evolução natural das lesões ou à reabilitação.

A diferença entre o estudo publicado e a fase 1

Uma distinção é fundamental: o artigo publicado em agosto descreve um estudo piloto anterior, e não os resultados da fase 1 regulatória autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Em 5 de janeiro de 2026, a agência autorizou um novo estudo clínico para avaliar a segurança da substância em cinco pacientes com lesões completas na região torácica da medula, entre as vértebras T2 e T10.

Os voluntários deverão ter entre 18 e 72 anos, sofrer o trauma há menos de 72 horas e apresentar indicação cirúrgica. O protocolo prevê acompanhamento por seis meses.

O laboratório brasileiro Cristália, parceiro da UFRJ, anunciou em setembro a previsão de início dessa etapa no Hospital das Clínicas de São Paulo e na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.

Entretanto, em nota oficial publicada em 22 de outubro de 2026, a Anvisa afirmou que o estudo regulatório de fase 1 ainda não havia começado. A agência também declarou que não existem dados suficientemente confiáveis para comprovar a segurança e a eficácia do produto.

Mesmo com os resultados preliminares, a polilaminina permanece experimental e não possui registro para comercialização ou utilização rotineira no Sistema Único de Saúde (SUS). Uma eventual aprovação dependerá de novas etapas de pesquisa e avaliação regulatória.

Como surgiu a campanha pelo Nobel de Medicina

A defesa de uma indicação de Tatiana Sampaio ao Prêmio Nobel ganhou uma campanha pública em fevereiro de 2026.

Em 19 de fevereiro, o portal Só Notícia Boa lançou uma mobilização utilizando a expressão #NobelParaTatiana. A proposta era chamar a atenção de cientistas e acadêmicos que poderiam apresentar o nome da pesquisadora aos responsáveis pela premiação.

A iniciativa, contudo, não constitui uma indicação oficial.

De acordo com as regras do Nobel de Fisiologia ou Medicina, as indicações são feitas por pessoas habilitadas, dentro de um processo restrito que envolve especialistas e representantes da comunidade científica.

Compartilhamentos, campanhas populares e manifestações de apoio não substituem Misterios do Mundo. Cópias não são autorizadas.