Em 18 de junho de 2023, uma viagem de alto risco rumo aos destroços do Titanic terminou em uma das tragédias mais comentadas da exploração submarina moderna. A bordo do submersível Titan estavam cinco pessoas: Shahzada Dawood, seu filho Suleman Dawood, o cofundador da OceanGate Stockton Rush, o explorador francês Paul-Henri Nargeolet e o empresário britânico Hamish Harding.
O veículo desapareceu durante a descida no Atlântico Norte, perto da costa de Newfoundland, no Canadá. Dias depois, as autoridades confirmaram que o Titan havia sofrido uma implosão catastrófica. A pressão extrema do oceano teria destruído o submersível em menos de um segundo.
Quase três anos depois, Christine Dawood, viúva de Shahzada e mãe de Suleman, falou sobre o impacto da notícia e sobre a forma como recebeu os restos dos dois.
O alívio amargo após a confirmação
Em entrevista ao The Guardian, Christine contou que sua primeira reação ao ouvir a palavra “implosão catastrófica” foi uma mistura dolorosa de choque e alívio.
“Meu primeiro pensamento foi: graças a Deus. Quando disseram catastrófica, eu soube que Shahzada e Suleman nem perceberam”, afirmou.
Segundo ela, saber que os dois não sofreram se tornou uma parte importante do luto. “Em um momento eles estavam lá e no outro não estavam. Saber que eles não sofreram foi muito importante. Eles se foram, mas a forma como foram de alguma maneira torna isso mais fácil”, disse.
Christine também revelou que ela mesma deveria estar no submersível, mas acabou cedendo seu lugar ao filho Suleman pouco antes da viagem. O detalhe tornou a tragédia ainda mais cruel para a família.
Os Dawoods, que morreram no submersível em 2023.
Os restos enviados em pequenas caixas
O relato mais duro veio quando Christine descreveu a devolução dos restos de Shahzada e Suleman. Segundo ela, a família esperou nove meses para receber o que havia sido encontrado.
“Nós não recebemos os corpos por nove meses. Bem, quando digo corpos, quero dizer o que sobrou. Eles vieram em duas pequenas caixas, como caixas de sapato”, contou.
Ela explicou que havia pouco material identificável. As equipes também informaram que existia uma quantidade maior de restos misturados, com DNA de diferentes vítimas, mas Christine recusou receber essa parte.
“Não havia muita coisa que eles conseguissem encontrar. Eles têm uma grande pilha que não conseguem separar, tudo com DNA misturado, e perguntaram se eu queria um pouco disso também. Mas eu disse não, apenas o que vocês sabem que é de Suleman e Shahzada”, relatou.
No documentário Titan: The OceanGate Submersible Disaster, da Netflix, Christine também criticou Stockton Rush, CEO da OceanGate, apontando a arrogância e o excesso de confiança como fatores centrais da tragédia.
“Eu queria ouvir a confiança da pessoa que construiu aquilo, que comandava a empresa, mas ele também estava cercado por especialistas de verdade”, afirmou. “Por que o ego e a arrogância são mais importantes que a segurança? A ironia não me escapa: o Titanic afundou exatamente pelos mesmos motivos.”