Homem que nunca matou ninguém de fato está prestes a ser executado após mais de três décadas no corredor da morte

📅 07/03/2026 👁️ 76 visualizações 🏷️ Variedades

Um caso antigo do sistema judicial dos Estados Unidos voltou a chamar atenção décadas depois de um crime ocorrido no início da década de 1990. No centro da discussão está Charles “Sonny” Burton, hoje com 75 anos, que passou mais de 30 anos no corredor da morte no estado do Alabama e tem uma execução marcada para março de 2026.

Burton foi condenado por assassinato em um processo ligado a um assalto ocorrido em 1991. O crime aconteceu em uma loja de autopeças da rede AutoZone, na cidade de Talladega. Naquele dia, seis homens armados entraram no estabelecimento e ordenaram que as pessoas presentes se deitassem no chão.

Durante a ação, Burton levou o gerente da loja até os fundos do local para abrir o cofre. O dinheiro foi retirado enquanto o grupo tentava controlar os funcionários e clientes que estavam dentro da loja.

A situação tomou um rumo inesperado quando um cliente entrou no estabelecimento. O homem era Doug Battle, um veterano do Exército de 34 anos. Ao perceber o assalto em andamento, ele acabou se envolvendo em uma discussão com um dos assaltantes.

O homem com quem Battle discutiu era Derrick DeBruce, outro integrante do grupo. Pouco depois da discussão, enquanto alguns dos assaltantes já deixavam o local, DeBruce atirou nas costas de Battle. O disparo matou o veterano.

Charles

Charles ‘Sonny’ Burton, 75, passou mais de três décadas no corredor da morte no Alabama

Dois destinos muito diferentes

Apesar de não ter sido o autor do disparo, Burton acabou sendo condenado por assassinato com base em uma regra jurídica existente no Alabama conhecida como “felony murder”. Essa lei permite que participantes de determinados crimes graves, como assaltos armados, sejam responsabilizados por homicídio caso alguém morra durante o crime, mesmo que não tenham sido os responsáveis diretos pela morte.

Enquanto Burton recebeu a pena de morte, o autor do disparo seguiu um caminho diferente no sistema judicial.

Derrick DeBruce também foi inicialmente condenado à pena capital. No entanto, um tribunal federal posteriormente anulou sua sentença após concluir que seus direitos constitucionais haviam sido violados durante o julgamento.

Após a decisão judicial, o estado concordou em alterar a pena de DeBruce. Ele foi condenado novamente, mas desta vez recebeu prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.

Com essa mudança, Burton acabou se tornando o único participante do assalto ainda enfrentando a possibilidade de execução.

Burton com sua filha Carolyn Amanda Shavers em fevereiro de 2026

Burton com sua filha Carolyn Amanda Shavers em fevereiro de 2026

Debate sobre a execução

A execução de Burton está programada para ocorrer em 12 de março de 2026. O método previsto é a hipóxia por nitrogênio, um procedimento em que a pessoa é exposta a gás nitrogênio até perder a consciência.

O caso tem provocado discussões entre advogados, familiares das vítimas e autoridades. O advogado de Burton, Matt Schulz, afirma que seu cliente não teve participação direta na morte de Doug Battle. Segundo ele, Burton sequer presenciou o momento do disparo.

“Ele não matou ninguém. Ele não ordenou que ninguém matasse. Ele não contratou ninguém para matar. Ele não disse a ninguém para matar”, declarou o advogado. Schulz também afirmou: “Ele literalmente nem sequer viu alguém cometer o assassinato”.

Outro elemento que chamou atenção no caso veio da própria família da vítima. Tori Battle, filha de Doug Battle, tinha apenas nove anos quando o pai morreu.

Hoje adulta, ela escreveu às autoridades pedindo clemência para Burton. “Eu não vejo como essa execução vai contribuir para a minha cura”, escreveu.

Ela também descreveu o pai como uma pessoa que valorizava a paz. “Meu pai, Doug Battle, era muitas coisas. Ele era forte, mas valorizava a paz. Ele não acreditava em vingança. E, nesse sentido, eu sou muito parecida com ele.” No mesmo pedido, ela afirmou esperar que o governador considere conceder clemência a Burton e permita que a sentença seja revista.