O brasileiro Athos Salomé, conhecido internacionalmente como “Nostradamus vivo”, voltou a chamar atenção ao comentar a guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. Segundo ele, a atual trégua não deve ser interpretada como o fim real do conflito, mas como uma pausa dentro de uma disputa muito mais ampla.
A guerra começou no início de 2026, quando forças dos Estados Unidos e de Israel realizaram uma série de ataques contra alvos militares, estruturas de defesa e lideranças iranianas. Entre os mortos estava o líder supremo do Irã, Ali Khamenei. A ofensiva provocou uma resposta iraniana com ataques contra aliados dos Estados Unidos e ações que afetaram diretamente a navegação no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do planeta para o transporte de petróleo e gás.
Mesmo com um cessar-fogo em vigor, a situação segue instável. A passagem pelo Estreito de Ormuz continua sendo um ponto de tensão, já que qualquer bloqueio ou ameaça na região pode mexer com o preço da energia, encarecer fretes e criar reflexos econômicos em várias partes do mundo. É nesse ambiente carregado de incertezas que Salomé passou a defender que o conflito ainda pode ganhar novos contornos.
A previsão de Athos Salomé
Em entrevista ao The Mirror, Athos Salomé afirmou que “ainda há muito que pode se desenrolar contra o Irã”. O brasileiro, que diz ter antecipado eventos como a pandemia de Covid-19, a morte da rainha Elizabeth II e ataques cibernéticos durante os Jogos Olímpicos de Paris 2024, acredita que o conflito não será encerrado rapidamente.
A visão dele contrasta com declarações de Donald Trump, que indicou que a guerra poderia terminar “muito rapidamente”. Para Salomé, o cenário seria outro. Em vez de uma invasão tradicional, a disputa poderia migrar para uma guerra prolongada, marcada por desgaste, pressão econômica, sabotagem tecnológica e ataques digitais.
Segundo ele, “a resposta de Teerã e o possível envio de células aliadas na região indicam que o conflito pode explodir em uma guerra de atrito nunca antes vista”. Athos também acrescentou que essa nova fase seria “marcada pelo desenvolvimento de novas tecnologias defensivas e ataques cibernéticos devastadores”.
A expressão “guerra de atrito” chama atenção porque descreve um tipo de conflito em que nenhuma das partes busca uma vitória rápida e direta. Em vez disso, o objetivo passa a ser desgastar o inimigo ao longo do tempo, drenando recursos, afetando alianças, criando instabilidade econômica e testando limites militares e diplomáticos. Nesse tipo de cenário, pequenos ataques, bloqueios, ameaças e operações discretas podem ser tão importantes quanto grandes ofensivas.
Guerra tecnológica e disputa por energia
Na avaliação de Salomé, os Estados Unidos não teriam como principal objetivo invadir militarmente o Irã. A estratégia, segundo ele, seria enfraquecer a capacidade iraniana de exportar energia, especialmente petróleo com desconto para a China.
“O tabuleiro geopolítico de 2026 mostra os Estados Unidos se movendo contra os três pilares que sustentam o fornecimento de energia da China: Irã, o alvo imediato; Venezuela, a peça capturada; e Rússia, o fator de trégua”, afirmou.
Essa leitura coloca o conflito em uma escala maior do que a disputa direta entre Washington, Teerã e Tel Aviv. Para Salomé, o Irã seria apenas uma parte de uma engrenagem estratégica ligada ao abastecimento energético global, à influência chinesa e ao controle de rotas marítimas.
(Instagram/athos_salome)
Ele também usou a expressão “ocupação tecnológica” para descrever o que acredita ser a próxima fase da guerra. Nesse cenário, drones, sistemas antimísseis, bloqueios digitais, ataques a redes de energia, espionagem e interrupções logísticas poderiam ter tanto peso quanto tanques, tropas e bombardeios.
A ideia se encaixa em uma realidade cada vez mais presente nos conflitos modernos. Em vez de depender apenas de soldados em campo, países também miram satélites, cabos submarinos, sistemas bancários, refinarias, redes elétricas e plataformas de comunicação. Um ataque bem planejado contra uma infraestrutura digital pode causar filas em postos de combustível, atrasar portos, derrubar sistemas de pagamento ou interromper cadeias de abastecimento sem que um único disparo seja visto pelo público.
No caso do Estreito de Ormuz, a preocupação é ainda maior. A região é uma garganta marítima estratégica, usada por navios que transportam petróleo e gás para diferentes mercados. Qualquer ameaça de bloqueio pode aumentar o medo entre investidores, pressionar seguradoras marítimas e elevar custos logísticos. Mesmo quando os navios continuam circulando, o risco percebido já pode ser suficiente para sacudir preços e contratos.
Athos Salomé não foi o único nome ligado a previsões místicas a comentar o conflito. O professor chinês Xueqin Jiang também afirmou que, em caso de invasão militar dos Estados Unidos, o Irã acabaria saindo vitorioso. Segundo ele, “não há absolutamente nenhuma maneira de os Estados Unidos vencerem essa guerra” e uma derrota americana mudaria para sempre a ordem global.
O lado cético das previsões
Apesar da repercussão, previsões desse tipo precisam ser vistas com cautela. Athos Salomé ganhou fama por associar seu nome a acontecimentos globais, mas esse tipo de declaração costuma circular melhor quando é ampla, dramática e aberta a interpretações. Expressões como “guerra de atrito”, “ataques cibernéticos” e “disputa energética” são fortes, mas também descrevem riscos já discutidos por analistas internacionais sempre que há tensão no Oriente Médio.
Outro ponto importante é que previsões geopolíticas raramente dependem de um único fator. O rumo de uma guerra pode mudar por decisões diplomáticas, pressão econômica, troca de governo, alianças militares, negociações secretas, falhas de inteligência, protestos internos ou até erros de cálculo. Quando uma previsão aponta para vários caminhos possíveis, fica mais fácil parecer correta depois, mesmo que os detalhes não tenham sido claros no momento em que ela foi feita.
Também existe uma diferença entre prever algo improvável e apontar tendências já visíveis. Em um conflito envolvendo Irã, Estados Unidos, Israel, petróleo, China e o Estreito de Ormuz, falar em risco de ataque cibernético, pressão energética e escalada regional não exige necessariamente uma capacidade paranormal. Esses elementos já fazem parte do repertório estratégico de governos e especialistas em segurança.
Ainda assim, a força dessas previsões está na maneira como elas capturam o clima de incerteza. Em um mundo onde guerras também acontecem em redes digitais, mercados financeiros e rotas marítimas, declarações como as de Salomé acabam funcionando como um retrato do medo contemporâneo: a sensação de que o próximo capítulo pode surgir não apenas de um míssil, mas de uma falha em sistemas, um bloqueio no mar ou uma decisão tomada longe dos olhos do público.