Mulher revela por que sua família está recusando uma oferta de 26 milhões de dólares para transformar parte da fazenda em um datacenter

📅 25/03/2026 👁️ 7 visualizações 🏷️ Variedades

Uma proposta milionária bateu à porta de uma família de agricultores no norte do Kentucky, nos Estados Unidos. Uma gigante da tecnologia, listada entre as maiores empresas do país, ofereceu cerca de 26 milhões de dólares para comprar as terras da família e transformá-las em um grande centro de dados. A quantia representava aproximadamente dez vezes o valor estimado da propriedade.

Mesmo assim, a resposta foi não.

A família Huddleston cultiva a região há gerações. São mais de 200 hectares administrados ao longo de décadas, enfrentando crises econômicas, mudanças tecnológicas e transformações no campo. Parte dessa área, cerca de 9 hectares de pastagem, está entre os terrenos desejados para a construção da nova estrutura voltada ao processamento de dados e à expansão da inteligência artificial.

Ida Huddleston, de 82 anos, viu o campo mudar muitas vezes ao longo da vida. Ao lado da filha, Delsia Bare, que detém a maior parte das terras em seu nome, ela decidiu que o dinheiro não é suficiente para compensar o que a propriedade representa.

“Se depender de mim, eu fico, continuo aqui e alimento uma nação. 26 milhões não significam nada”, afirmou Delsia em entrevista a uma emissora local.

A filha de Ida, Delsia Bare, também se recusou a vender (YouTube/LEX18)

A filha de Ida, Delsia Bare, também se recusou a vender (YouTube/LEX18)

Raízes que atravessam gerações

A ligação da família com a terra vai além da produção agrícola. Segundo Delsia, o solo carrega a história de seus antepassados. “Meu avô, meu bisavô e muitos outros da família viveram aqui por anos, pagaram impostos e ajudaram a alimentar o país.”

Durante a Grande Depressão, período de forte crise econômica nos Estados Unidos na década de 1930, a fazenda produziu trigo que ajudou a manter a oferta de pão em tempos de escassez. A propriedade atravessou momentos decisivos da história nacional sem deixar de produzir.

Para Delsia, a relação com o terreno é também uma questão de identidade. “Enquanto eu estiver nesta terra, enquanto ela me alimentar e cuidar de mim, não há nada que possa me destruir se eu tiver esta terra.”

Pressão tecnológica e resistência rural

A empresa interessada segue tentando adquirir áreas na região. Alguns proprietários aceitaram as propostas elevadas, enquanto outros, como a família Huddleston, mantiveram a decisão de não vender. Há relatos de que a companhia também buscou garantir fornecimento de energia equivalente ao dobro da capacidade atual de uma usina local para viabilizar o projeto.

Ida Huddleston demonstrou desconfiança quanto às promessas de desenvolvimento econômico e geração de empregos. “Chamam a gente de fazendeiros velhos e tolos, mas não somos”, declarou. Ela acrescentou que a perda de terras agrícolas e de recursos naturais pode ter consequências graves. “Sabemos quando nossa comida está desaparecendo, quando nossas terras estão desaparecendo, quando não temos água. Nós sabemos.”

Questionada sobre os possíveis benefícios do centro de dados para a economia local, Ida foi direta. Chamou a proposta de engano e disse: “Eu digo que estão mentindo, e não há verdade neles.”

Mesmo que o empreendimento possa ser construído em propriedades vizinhas vendidas a outros agricultores, a posição da família permanece inalterada. Delsia comparou seu apego à terra ao de personagens que se recusam a abandonar suas origens. Para ela, a permanência no campo é uma escolha que ultrapassa qualquer cifra.