Em 2023, um caso ocorrido em um hospital de Daytona Beach, na Flórida, chamou a atenção das autoridades e da opinião pública. Uma mulher idosa foi presa após atirar fatalmente no próprio marido, que enfrentava uma doença terminal. Anos depois, já em liberdade, ela decidiu falar sobre o episódio e sobre as consequências que marcaram sua vida.
Ellen Gilland tinha 79 anos quando foi detida por matar o marido, Jerry Gilland, então com 77. O disparo aconteceu dentro do quarto do hospital onde ele estava internado. A arma utilizada havia sido levada por ela de forma clandestina até o local, segundo a polícia. Apenas um tiro foi efetuado, mas foi suficiente para causar a morte imediata do paciente.
As investigações apontaram que o casal havia feito um acordo para morrer junto. A ideia inicial seria um pacto de assassinato seguido de suicídio, mas Ellen não conseguiu tirar a própria vida após matar o marido. De acordo com as autoridades, ela permaneceu trancada no quarto por horas, recusando-se a largar a arma, o que provocou uma operação policial prolongada dentro do hospital. Apesar da tensão, não houve ameaça direta a outros pacientes ou funcionários.
O dia no hospital e a investigação
Ellen Gilland foi condenada a um ano de prisão após atirar fatalmente em seu marido (Fox 35 Orlando).
Após o disparo, funcionários do hospital acionaram a polícia, que encontrou Ellen em estado de forte abalo emocional. A situação evoluiu para um impasse armado, encerrado somente após longas negociações. Inicialmente, ela foi acusada de homicídio em primeiro grau, mas um grande júri decidiu reduzir as acusações.
Ellen acabou aceitando um acordo judicial e se declarou sem contestação às acusações de homicídio culposo, agressão agravada com arma de fogo e agressão agravada contra agentes da lei. A sentença determinou um ano de prisão e mais 12 anos de liberdade condicional, levando em conta também o impacto causado entre pessoas que estavam no hospital no momento do ocorrido.
Durante entrevistas concedidas após sua libertação, Ellen afirmou que não via alternativas naquele momento. Disse que passou um tempo conversando com o marido, a quem descreveu como seu melhor amigo, antes de atirar. Também relatou que, ao longo de 76 anos de vida, nunca havia tido problemas com a Justiça nem a intenção de ferir alguém.
Gilland conheceu seu marido no ensino fundamental (Fox 35 Orlando)
Prisão, saúde e vida após a libertação
Seis semanas após o início do cumprimento da pena, Ellen sofreu um ataque cardíaco, atribuído ao estresse. A partir daí, permaneceu sob cuidados médicos em uma enfermaria até completar o período de prisão. Segundo ela, aceitar a punição sempre fez parte de sua postura, sem esperar compaixão pública.
Ela também relatou dificuldades pessoais que enfrentava antes do crime. Disse que já não conseguia cuidar adequadamente do marido, com quem se relacionava desde a época da escola, e que lidava com problemas de visão e depressão. Após o episódio, reconheceu que os acontecimentos não seguiram o rumo que ela havia previsto.
Agora em liberdade, Ellen cumpre serviços comunitários determinados pela Justiça e atua como voluntária em um abrigo de animais. Paralelamente, passou a defender mudanças na legislação