Gêmea siamesa guardou um grande segredo da irmã por décadas

📅 17/03/2026 👁️ 9 visualizações 🏷️ Variedades

Em 1961, na cidade de Reading, no estado da Pensilvânia, nasceram duas crianças que desafiariam previsões médicas e expectativas sociais ao longo de mais de seis décadas. Lori e George Schappell vieram ao mundo com os crânios parcialmente unidos, ligados pelo lado esquerdo da testa. Além da fusão óssea, compartilhavam vasos sanguíneos vitais e cerca de 30% do cérebro.

Na época, médicos acreditavam que dificilmente sobreviveriam ao primeiro ano de vida. A medicina ainda não dispunha de recursos suficientes para realizar uma separação com segurança. Mesmo quando os avanços científicos passaram a permitir procedimentos mais complexos, a decisão foi outra.

Em entrevista ao Los Angeles Times, em 2002, Lori afirmou: “Eu não acredito em separação. Acho que você está mexendo com o trabalho de Deus.” George reforçou a posição: “Seríamos separados? De jeito nenhum. Minha teoria é: por que consertar o que não está quebrado?”

Eles viveram 62 anos. Em 2022, passaram a deter o recorde mundial como os gêmeos siameses mais velhos do mundo, título reconhecido pelo Guinness World Records e mantido até suas mortes, em 2024.

Vida adulta e independência

Apesar da condição rara, construíram uma rotina que desafiava a curiosidade do público. Aos 21 anos, decidiram sair da casa dos pais e morar sozinhos. Organizavam o apartamento, viajavam e mantinham interesses próprios.

“Most people don’t believe us but we do have very normal lives. We travel, tidy our flat and Lori has even had a boyfriend. Nothing stops us doing what we want”, disse George em entrevista ao jornal The Sun. Em tradução: “A maioria das pessoas não acredita, mas temos vidas muito normais. Viajamos, arrumamos nosso apartamento e Lori até já teve namorado. Nada nos impede de fazer o que queremos.”

Os quartos refletiam personalidades distintas. Lori descrevia o seu como “mais feminino”, enquanto o de George era coberto por pôsteres de música. Dormiam alternando entre os dois ambientes.

Lori tornou-se campeã de boliche de dez pinos. George seguiu carreira na música country e chegou a receber prêmios na área. Ele também nasceu com espinha bífida, condição em que a medula espinhal não se desenvolve completamente durante a gestação, podendo causar limitações motoras. Por isso, utilizava cadeira de rodas, empurrada por Lori.

George nasceu originalmente Dori Schappell (BBC)

George nasceu originalmente Dori Schappell (BBC)

Um segredo revelado após décadas

Registrado ao nascer como Dori e designado como do sexo feminino, George revelou publicamente em 2007 que era um homem trans. A identidade de gênero foi mantida em segredo por muitos anos, inclusive da própria irmã.

Em 2011, declarou ao The Sun: “Desde muito jovem eu sabia que deveria ter sido um menino.” Ele também contou: “Eu adorava brincar com trens e odiava roupas femininas. Mantive meu desejo de mudar de sexo escondido, até mesmo de Lori, por muitos anos. Foi muito difícil, mas eu estava ficando mais velho e simplesmente não queria viver uma mentira. Eu sabia que precisava viver minha vida do jeito que eu queria.”

Lori admitiu que a revelação foi um choque inicial, mas declarou sentir orgulho do irmão. “Foi uma decisão enorme, mas superamos tantas coisas em nossas vidas e juntos somos uma equipe muito forte. Nada pode quebrar isso”, afirmou.

Lori e George Schappell morreram em abril de 2024, no Hospital da Universidade da Pensilvânia, na cidade de Filadélfia. A causa da morte não foi divulgada publicamente.