Pequenas manchas que parecem flutuar no campo de visão costumam surgir de forma inesperada. Às vezes têm formato de pontos escuros, outras lembram fios ou linhas onduladas. Elas se movem quando os olhos se movimentam e parecem desaparecer ao tentar focá-las diretamente.
Essas formas são conhecidas como “moscas volantes”, ou floaters. Apesar de assustarem quem nunca percebeu o fenômeno antes, são relativamente comuns e, na maioria das vezes, não indicam algo grave.
De acordo com o sistema de saúde britânico, o NHS, essas manchas estão frequentemente ligadas a um processo chamado descolamento do vítreo posterior, conhecido pela sigla PVD. Trata-se de uma alteração natural do gel transparente que preenche cerca de 80% do interior do olho.
O vítreo é composto por fibras de colágeno suspensas em uma substância gelatinosa. Com o passar do tempo, essa estrutura pode sofrer mudanças, formando pequenos aglomerados que projetam sombras sobre a retina. É essa sombra que o cérebro interpreta como pontos ou linhas flutuantes.
Como surgem as moscas volantes
O oftalmologista Daniel Polya, do Royal Australian and New Zealand College of Ophthalmologists, explicou ao Daily Mail Australia que o fenômeno ocorre por causa da condensação das fibras de colágeno.
“É a condensação das fibras de colágeno. Grandes moléculas de colágeno se agrupam e lançam sombras sobre a retina, que você percebe como moscas volantes”, afirmou.
Esses agrupamentos tornam-se mais perceptíveis quando a pessoa olha para superfícies claras, como paredes brancas ou o céu. A luz intensa facilita a visualização das sombras internas.
Embora o PVD seja considerado um processo comum e geralmente inofensivo, há situações em que as moscas volantes podem estar associadas a algo mais sério, como o descolamento de retina.
Quando procurar avaliação
Segundo Daniel Polya, é fundamental prestar atenção ao momento em que os sintomas aparecem. “É muito importante consultar um oftalmologista quando uma nova mosca volante surge pela primeira vez”, disse.
O alerta principal está no surgimento repentino de várias manchas novas ou na presença de flashes luminosos acompanhando os pontos escuros. Em alguns casos, o PVD pode provocar uma pequena ruptura na retina.
O médico explicou que, entre as pessoas que desenvolvem PVD, cerca de 5% podem apresentar uma lesão na retina. Se essa lesão ocorrer, existe aproximadamente 50% de chance de evoluir para um descolamento de retina.
O descolamento pode levar à perda de visão se não for tratado rapidamente. Em casos de ruptura detectada precocemente, o laser pode ser utilizado para selar a área afetada. No entanto, o próprio uso do laser para fragmentar grandes moscas volantes também envolve riscos.
Polya destacou ainda que é frustrante atender pacientes com descolamento de retina que poderiam ter sido avaliados logo no início dos sintomas. “O descolamento do vítreo é comum e não costuma ser preocupante. Já o descolamento de retina é algo que poderia ter sido evitado com um exame precoce quando as moscas volantes apareceram”, afirmou.
Na maioria das situações, as moscas volantes permanecem estáveis ou tornam-se menos perceptíveis com o tempo. Mesmo assim, qualquer mudança repentina na visão merece atenção especializada.