Dois países sobreviveriam se uma guerra nuclear que poderia matar “cinco bilhões em dias” começasse hoje

📅 03/03/2026 👁️ 16 visualizações 🏷️ Variedades

Os ataques coordenados de Estados Unidos e Israel contra o Irã, no fim de fevereiro, mudaram o clima político no Oriente Médio. A morte do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, foi seguida por uma série de retaliações.

Teerã respondeu com mísseis e drones contra instalações militares americanas na região. Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Omã e Jordânia relataram ataques aéreos atribuídos ao Irã. Ao mesmo tempo, Israel ampliou suas operações, atingindo alvos no território iraniano e no Líbano.

O governo israelense declarou que pretende “avançar e tomar áreas estratégicas adicionais no Líbano para impedir disparos contra comunidades na fronteira”. A frase reforçou a percepção de que o conflito pode se espalhar por várias frentes.

Além dos países diretamente envolvidos, outras potências observam atentamente. A Rússia depende de drones iranianos em seu conflito com a Ucrânia. A China mantém forte interesse no petróleo iraniano. Milícias alinhadas a Teerã, como o Hezbollah no Líbano, o movimento Houthi no Iêmen e grupos xiitas no Iraque e na Síria, também podem entrar na equação.

Diante desse cenário, o temor de uma escalada nuclear voltou ao debate público.

O que aconteceria com o planeta

A jornalista e autora Annie Jacobsen, conhecida pelo livro Nuclear War: A Scenario, descreveu um panorama extremo em entrevista ao podcast Diary Of A CEO. Segundo ela, cerca de cinco bilhões de pessoas poderiam morrer nos primeiros 72 minutos de um conflito nuclear em grande escala.

Ela afirma que, após as explosões iniciais, o impacto climático seria devastador. “Grande parte do mundo, especialmente as latitudes médias, ficaria coberta por camadas de gelo. Lugares como Iowa e Ucrânia teriam neve por 10 anos”, disse.

O fenômeno seria causado pela fuligem lançada na atmosfera, bloqueando a luz solar e provocando uma queda abrupta nas temperaturas. Esse cenário é frequentemente chamado de inverno nuclear.

A agricultura entraria em colapso. “Quando a agricultura falha, as pessoas simplesmente morrem”, afirmou. Além disso, a camada de ozônio poderia sofrer danos severos, aumentando a radiação ultravioleta na superfície. “As pessoas seriam forçadas a viver no subsolo porque não poderiam ficar expostas à luz solar.”

Jacobsen trabalhou com o climatologista Brian Toon para projetar possíveis consequências ambientais. Segundo ela, poucos territórios manteriam condições mínimas para produção de alimentos.

Os lugares com mais chances de resistir

De acordo com essas projeções, apenas dois países teriam capacidade de sustentar a agricultura em meio ao caos climático: Austrália e Nova Zelândia. Ambos estão no hemisfério sul, distantes dos principais polos nucleares do planeta e com grande capacidade agrícola.

Outras nações costumam aparecer em listas de possíveis refúgios em um conflito global catastrófico. Entre elas estão Islândia, Suíça, Tuvalu, África do Sul e Chile.

A lógica envolve dois fatores principais: distância geográfica de potências nucleares e capacidade de produção de alimentos após a crise inicial. Sobreviver à explosão seria apenas o primeiro desafio. Manter uma população viva nos anos seguintes dependeria de clima, solo fértil e infraestrutura.

Apesar das tensões atuais, potências nucleares não estão oficialmente em guerra direta entre si. Ainda assim, a combinação de conflitos regionais, alianças estratégicas e interesses energéticos mantém o mundo atento a cada novo movimento diplomático ou militar.