A Coreia do Norte opera sob um regime de isolamento que desperta curiosidade global constante. Desde a sua fundação por Kim Il Sung em 1948, o país consolidou uma estrutura de poder hereditário que hoje se encontra nas mãos de Kim Jong Un, o terceiro líder da dinastia Kim.
A rotina dentro das fronteiras é marcada por um controle rígido sobre os meios de comunicação, as liberdades religiosas e o deslocamento da população. Relatos de desertores e observadores internacionais frequentemente comparam a vigilância estatal ao cenário descrito por George Orwell em 1984, sustentada por uma rede de campos de prisioneiros para quem desafia as diretrizes do Partido do Trabalho da Coreia.
A educação no país segue um currículo que inclui disciplinas tradicionais, como matemática, ciências e língua coreana. No entanto, o sistema prioriza a doutrinação ideológica e o ensino detalhado da história da família Kim.
Essa visão de mundo se estende para a forma como a geografia é apresentada aos cidadãos. Recentemente, a divulgação de um mapa mundial utilizado nas escolas norte coreanas gerou discussões em fóruns de internet devido à sua perspectiva peculiar sobre a disposição dos continentes e das fronteiras nacionais.
A cartografia da península unificada
O detalhe que mais chama a atenção no mapa norte coreano é a representação da península da Coreia. Todo o território aparece pintado em vermelho, sem qualquer linha divisória que indique a existência da Coreia do Sul. Embora os dois países estejam separados politicamente desde o fim da Segunda Guerra Mundial em 1945, a cartografia oficial de Pyongyang ignora essa divisão.
Esse posicionamento não é exclusivo do norte, já que órgãos de cultura e informação da Coreia do Sul também costumam reivindicar a totalidade da península em seus documentos oficiais, refletindo a tensão histórica e a recusa mútua em reconhecer a legitimidade do vizinho.
Além da questão política regional, o mapa adota uma projeção centralizada no Oceano Pacífico. Essa escolha desloca a Ásia para o centro da imagem, mudando a percepção visual de países como o Japão, tradicionalmente conhecido como a Terra do Sol Nascente por sua posição a leste nos mapas de influência europeia. No modelo norte coreano, o Japão perde esse destaque geográfico periférico e passa a integrar uma massa de terra mais integrada ao bloco asiático central.
A versão da Coreia do Norte do mapa-múndi deixou as pessoas completamente impressionadas
Distorções e omissões globais
Internautas que analisaram a imagem notaram ausências geográficas curiosas. Enquanto a Nova Zelândia aparece devidamente representada, a ilha de Terra Nova, no Canadá, parece ter sido omitida. O mesmo ocorre no Mar Mediterrâneo, onde ilhas importantes como Córsega e Chipre não figuram no desenho. Essas omissões alimentam debates sobre a precisão técnica versus a intenção ideológica da cartografia estatal, que prioriza certas massas de terra em detrimento de outras.
A reação do público internacional ao mapa variou entre o choque e a análise técnica. Um usuário comentou: “Eu realmente gosto muito mais disso, as massas de terra parecem todas mais conectadas de alguma forma. O Pacífico no meio em vez do Atlântico parece muito mais apropriado e a curva gradual para baixo, de Alasca e Rússia até a Espanha e Portugal, de repente faz o clima de todos esses lugares fazer muito mais sentido também”.
Outro observador focou na proporção das terras, afirmando: “Ignorando a parte óbvia sobre a Coreia, eu realmente gosto mais deste mapa do que da projeção de Mercator. Tudo parece ser muito mais proporcional”. Outro participante da discussão brincou sobre as proporções continentais dizendo que “isso vai ser realmente difícil para os Estados Unidos tomarem a Groenlândia”.