O clima diplomático entre Estados Unidos e Espanha ganhou novos contornos após declarações feitas por Donald Trump na Casa Branca. Durante uma conversa no Salão Oval, o presidente afirmou que determinou a interrupção de todas as relações comerciais com o país europeu depois que o governo espanhol se recusou a colaborar com uma operação militar norte-americana no Oriente Médio.
Segundo Trump, a tensão começou quando ele solicitou que nações europeias ampliassem seus investimentos em defesa para 5 por cento. De acordo com o presidente, vários países teriam aceitado a proposta com entusiasmo. Ele citou a Alemanha como exemplo e criticou a postura espanhola.
“Espanha foi terrível. Na verdade, eu disse ao Scott para cortar todas as relações com a Espanha”, declarou, em referência ao secretário do Tesouro, Scott Bessent. “Todos os países europeus pagaram 5 por cento como deveriam, e a Espanha não fez isso. E agora disseram que não podemos usar as bases deles.”
Trump também afirmou que os Estados Unidos poderiam utilizar as bases espanholas caso desejassem. “Está tudo bem, podemos usar a base se quisermos, podemos simplesmente voar e usar. Ninguém vai nos dizer que não podemos usar”, disse. Em seguida, acrescentou críticas à liderança espanhola. “A Espanha não tem absolutamente nada de que precisamos, além de pessoas incríveis. Eles têm pessoas incríveis. Mas não têm uma grande liderança.”
A negativa espanhola e os limites legais
A recusa da Espanha ocorreu após o primeiro-ministro Pedro Sánchez classificar a ofensiva contra o Irã como uma ação militar unilateral. O governo espanhol alertou que esse tipo de iniciativa contribui para uma ordem internacional mais hostil e incerta.
O ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, foi direto ao comentar o assunto em entrevista à emissora Telecinco. “Quero ser muito claro e direto. As bases não estão sendo usadas e não serão usadas para nada que não esteja previsto no acordo, nem para nada que não esteja amparado pela Carta das Nações Unidas”, afirmou.
A ministra da Defesa, Margarita Robles, reforçou o posicionamento. Segundo ela, existe um acordo bilateral sobre o uso das bases militares, mas qualquer operação precisa respeitar os marcos legais internacionais e contar com respaldo jurídico adequado. “Há um acordo com os Estados Unidos sobre essas bases, mas nossa interpretação é que as operações devem cumprir os marcos legais internacionais e ter apoio internacional”, declarou à imprensa.
Reino Unido também entrou na conversa
Durante a mesma coletiva, Trump ampliou as críticas e mencionou o Reino Unido. Ele demonstrou insatisfação com a postura inicial do governo britânico, que teria recusado permitir o uso de suas bases militares para os ataques, antes de rever a decisão.
Ao falar sobre o acordo envolvendo as Ilhas Chagos, o presidente comentou que o processo dificultou a logística das operações. “Aquela ilha sobre a qual vocês leram, o arrendamento, por algum motivo ele fez um arrendamento da ilha e alguém veio e tirou isso dele”, disse. “Levou três ou quatro dias para resolvermos onde poderíamos pousar. Teria sido muito mais conveniente pousar lá, em vez de voar muitas horas extras.”
Em tom crítico, comparou a liderança atual britânica a figuras históricas. “Estamos muito surpresos. Não estamos lidando com Winston Churchill”, afirmou.
As declarações aumentaram a tensão entre aliados tradicionais em um momento de instabilidade internacional. Enquanto Washington sinaliza retaliações comerciais, Madri mantém a posição de que qualquer ação militar deve respeitar acordos firmados e o direito internacional vigente.