Temendo guerra, Polônia irá treinar 400 mil civis em 2026

📅 06/11/2025 👁️ 69 visualizações 🏷️ Notícias

A Polônia está prestes a iniciar o maior programa de treinamento militar de sua história, com o objetivo de preparar 400 mil civis até 2026. A iniciativa, chamada de “Em Prontidão”, foi anunciada pelo Ministério da Defesa e busca fortalecer a capacidade de defesa do país diante das crescentes tensões na região leste da Europa.

O ministro da Defesa, Wladyslaw Kosiniak-Kamysz, afirmou que o programa é “o maior treinamento de defesa da história da Polônia” e destacou que a participação será totalmente voluntária. Estudantes, profissionais de diferentes áreas e até idosos poderão se inscrever para aprender noções de segurança, técnicas de sobrevivência, primeiros socorros e cibersegurança.

Durante os meses de novembro e dezembro, cerca de 20 mil pessoas participarão de forma individual das atividades, mas o número total, incluindo todos os formatos de treinamento, deve alcançar 100 mil participantes, segundo o vice-ministro da Defesa, Cezary Tomczyk. Ele explicou que o plano é treinar até 400 mil cidadãos no próximo ano, combinando aulas práticas, instruções em grupo e programas de reservistas.

De acordo com o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Wieslaw Kukula, o projeto tem dois propósitos centrais: fortalecer a resiliência da população e aprimorar a prontidão das reservas militares. “Queremos que a sociedade polonesa esteja preparada para reagir de forma rápida e coordenada em qualquer situação de risco”, afirmou Kukula.

O primeiro-ministro Donald Tusk havia revelado a ideia em março, com a meta de ampliar o número de reservistas e aumentar a integração entre civis e o Exército. A decisão foi motivada pelo avanço da guerra na Ucrânia e pelo temor de possíveis ameaças vindas da Rússia, que desde 2022 mantém operações militares na região.

A Polônia, que hoje conta com 216 mil militares ativos, tornou-se a terceira maior força da Otan e é o país que mais investe em defesa proporcionalmente ao seu PIB dentro da aliança. Além disso, pretende expandir suas tropas em cerca de 30% nos próximos anos.

Em setembro, o país enfrentou um episódio que elevou ainda mais a tensão: drones não identificados cruzaram sua fronteira e foram abatidos pelas forças polonesas com o apoio de aviões de guerra enviados por aliados da Otan. As autoridades locais afirmaram que os equipamentos pertenciam às forças russas, acusação que Moscou negou.

Com o novo programa, o governo polonês pretende transformar parte significativa da população em uma força civil preparada para agir em caso de conflito — um passo que reforça o papel do país como um dos principais pilares de segurança da Europa oriental.