Surge uma faixa marrom enorme entre o Brasil e a África. Não é petróleo, mas algo que parece ainda mais perigoso
Visto do espaço, o Atlântico às vezes parece carregar uma longa cicatriz marrom sobre o azul. Ela se estende por uma área imensa, atravessando o oceano como uma faixa viva entre a África, o Caribe e o golfo do México. À primeira vista, muita gente pensa em petróleo, lama ou algum tipo de poluição química. Mas o que aparece nas imagens de satélite é outra coisa: sargazo.
O sargazo é uma macroalga parda que flutua na superfície do mar. Em pequenas quantidades, ele faz parte do equilíbrio natural do oceano. Suas massas flutuantes servem de abrigo para peixes jovens, crustáceos, tartarugas e larvas de várias espécies. É quase uma creche marinha à deriva, onde a vida encontra proteção em pleno oceano aberto.
O problema começa quando essa alga deixa de aparecer em porções dispersas e passa a formar acúmulos gigantescos. Em vez de pequenas ilhas flutuantes, surgem corredores densos, extensos e persistentes. A faixa marrom deixa de ser apenas um detalhe ecológico e se transforma em um fenômeno de escala continental.
Desde 2011, cientistas acompanham com atenção a formação recorrente do chamado Grande Cinturão de Sargazo do Atlântico. Misterios do Mundo. Cópias não são autorizadas.