Pinguim resgatado por brasileiro voltou por anos à praia onde foi salvo
Em 2011, o pedreiro aposentado João Pereira de Souza encontrou um pinguim-de-magalhães debilitado e coberto de óleo na praia de Provetá, em Ilha Grande, Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Ele limpou e alimentou a ave, que recebeu o nome de Dindim. Depois de recuperar as forças e retornar ao oceano, o animal passou a reaparecer na mesma praia durante vários anos. Os encontros foram documentados em uma reportagem exibida pela TV Globo em março de 2016.
A história ganhou repercussão internacional, mas algumas informações divulgadas na época, especialmente sobre a distância percorrida pelo pinguim, não foram confirmadas pelos pesquisadores que acompanharam o caso.
O resgate na praia de Provetá
Quando João encontrou Dindim, a ave estava tão fraca que mal conseguia se movimentar. O aposentado retirou o óleo das penas e ofereceu sardinhas durante os dias seguintes, até perceber que o animal havia recuperado parte de sua disposição.
Segundo o relato do biólogo João Paulo Krajewski à CNN, João levou o pinguim de barco até uma ilha próxima para devolvê-lo ao mar. Entretanto, no mesmo dia, a ave reapareceu no quintal de sua casa, que tinha acesso direto à praia.
Dindim permaneceu naquele local até fevereiro de 2012. Depois, desapareceu no oceano. Em junho, João ouviu novamente os chamados do animal e encontrou o pinguim em seu quintal.
O nome Dindim surgiu por causa do neto de João, então com aproximadamente dois anos, que ainda não conseguia pronunciar corretamente a palavra “pinguim”.
Os reencontros continuaram durante anos
A partir daquele período, Dindim passou a retornar à região em diferentes temporadas. Segundo João, a ave geralmente chegava em junho e permanecia até fevereiro, convivendo com ele por aproximadamente oito meses.
Durante uma participação no programa Domingão do Faustão, em 2016, João descreveu o comportamento do animal: “Nunca vi um bicho criado no mar se apegar com uma pessoa como ele se apegou comigo”.
O biólogo João Paulo Krajewski participou da produção da reportagem e observou os encontros. Conforme explicou em seu relato sobre a história de Dindim, o animal vivia livre, dormia no quintal de João e tinha acesso ao mar.
A equipe do Aquário de Ubatuba também examinou o pinguim, coletou uma amostra de sangue e colocou uma anilha de identificação. Os exames confirmaram que Dindim era macho.
Em entrevista ao jornal The Guardian, o oceanógrafo Hugo Gallo Neto, diretor do aquário, afirmou que a identificação permitiu confirmar um retorno posterior da mesma ave.
A distância percorrida pelo pinguim não foi comprovada
Diversas publicações afirmaram que Dindim nadava cerca de 8.000 quilômetros para reencontrar João, supostamente viajando entre a Patagônia e o litoral brasileiro.
Entretanto, Krajewski contestou essa informação. O biólogo explicou à CNN que ninguém sabia exatamente para onde Dindim seguia durante os meses em que desaparecia. Ele considerou extremamente improvável que o animal viajasse até a Patagônia em todas as temporadas.
Os pinguins-de-magalhães (Spheniscus magellanicus) possuem colônias reprodutivas na Argentina e no Chile. Fora do período reprodutivo, muitos indivíduos migram em busca de alimento, podendo alcançar o litoral brasileiro.
Dindim apresentava um comportamento diferente. Enquanto outros indivíduos da espécie permaneciam nas áreas de reprodução mais ao sul, ele passava longos períodos em Ilha Grande.
Uma hipótese apresentada por Krajewski é que a ave tenha desenvolvido fidelidade ao local onde se recuperou, comportamento