Piloto fez comentário trágico antes do pior acidente aéreo da história, que matou 583 pessoas
O maior desastre da história da aviação aconteceu em 27 de março de 1977, no aeroporto de Los Rodeos, em Tenerife, na Espanha. Dois Boeing 747, o voo KLM 4805 e o voo Pan Am 1736, colidiram na pista em uma sequência de falhas que transformou um dia já caótico em uma tragédia sem precedentes.
Ao todo, 583 pessoas morreram. Todos os 248 ocupantes do avião da KLM perderam a vida. No Boeing 747 da Pan Am, que levava 396 pessoas, apenas 61 sobreviveram. A colisão ocorreu depois que os dois aviões foram desviados para Tenerife por causa da explosão de uma bomba no aeroporto de Gran Canaria, que havia interrompido as operações no local.
O aeroporto de Tenerife era menor e rapidamente ficou lotado de aeronaves desviadas. A movimentação intensa dificultava a organização no solo, enquanto uma neblina espessa reduzia drasticamente a visibilidade. Pilotos e controladores tinham pouca noção visual do que acontecia na pista, dependendo quase totalmente da comunicação por rádio.
A confusão na pista
O voo KLM 4805 era comandado pelo capitão Jacob Veldhuyzen van Zanten. Enquanto sua tripulação se preparava para decolar, o avião da Pan Am ainda taxiava pela mesma pista, tentando encontrar a saída correta.
A tragédia começou a se desenhar quando uma falha de comunicação fez a tripulação da KLM acreditar que já tinha autorização para iniciar a decolagem. O avião começou a acelerar pela pista sem que seus pilotos soubessem que o Pan Am ainda estava logo à frente.
Por causa da neblina, nenhuma das tripulações conseguiu enxergar a outra aeronave a tempo. Quando os pilotos da Pan Am finalmente perceberam o Boeing da KLM vindo em sua direção, o capitão Victor Grubbs gritou: “Olhe para ele! Droga, aquele filho da mãe está vindo.”
Os segundos finais
A tripulação da Pan Am tentou sair da pista para escapar da colisão. O primeiro oficial Robert Bragg repetiu em desespero: “Saia! Saia! Saia!”
Ao mesmo tempo, os pilotos da KLM tentaram levantar o avião antes do ponto ideal, numa tentativa de passar por cima da outra aeronave. O Boeing, porém, não conseguiu ganhar altitude suficiente. Ele atingiu a parte superior do avião da Pan Am, rasgando sua estrutura, antes de cair novamente na pista e explodir.
A investigação apontou uma combinação de fatores: baixa visibilidade, congestionamento no aeroporto e falhas na comunicação entre pilotos e torre de controle. Depois do desastre, a aviação mundial passou a adotar regras mais rígidas e padronizadas para conversas por rádio, com frases mais claras entre tripulações e controladores.
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