Tiffany Score e Steven Mills planejaram cada detalhe da chegada do primeiro bebê. O casal da Flórida buscou o Fertility Centre of Orlando para realizar o sonho da paternidade por meio da fertilização in vitro. Em 11 de dezembro de 2025, a filha do casal, Shea, nasceu. O que deveria ser o momento mais feliz da vida de ambos se transformou em um mistério médico e jurídico imediato.
A discrepância física foi o primeiro sinal de que algo estava errado. Tiffany e Steven são brancos, mas a recém-nascida apresentava características físicas de uma criança não caucasiana. O choque inicial levou a testes de DNA que confirmaram o pior receio dos pais. Shea não possuía qualquer vínculo genético com Tiffany ou Steven. O processo judicial movido pelo casal alega que o embrião de outra família foi implantado por erro no útero de Tiffany.
A busca pelos pais biológicos tornou-se uma missão para o casal. Eles descreveram o sentimento como uma obrigação moral, mesmo com o medo constante de que a identificação dos parentes genéticos pudesse resultar na perda da guarda da criança. Em 22 de abril de 2026, os advogados da família confirmaram que a busca terminou. Os pais genéticos de Shea foram localizados por meio de testes especializados.
Identificação e sigilo
O casal emitiu um comunicado oficial por meio de seus representantes legais para atualizar o público sobre a descoberta. “Os resultados dos testes entregues a nós hoje confirmam que os pais genéticos de nossa bebê foram identificados”, afirmaram os pais. Apesar da revelação, a identidade desses indivíduos será mantida em sigilo absoluto para preservar a privacidade de todas as partes envolvidas no incidente.
A questão jurídica em torno do caso é complexa. Em janeiro, a advogada Mara Hatfield comentou sobre o conflito de direitos em situações como esta. “Quais são os direitos que eles têm, como pais que nutrem biologicamente há meses, em comparação com os direitos dos pais genéticos que eles esperam identificar? Essa é uma questão em desenvolvimento que a lei está tentando definir, porque, infelizmente, esses erros raramente acontecem, mas acontecem”, explicou ela.
Até o momento, os pais biológicos identificados não fizeram nenhuma solicitação para obter a custódia da menina. Jack Scarola, o advogado que lidera a ação em nome de Tiffany e Steven, reforçou que o foco do casal permanece no bem-estar da criança. “Apenas uma coisa é tão absolutamente certa hoje quanto no dia em que nossa filha nasceu: nós amaremos e seremos os pais desta criança para sempre”, declarou o casal no comunicado.
O fechamento da clínica
Enquanto o mistério sobre a origem de Shea é resolvido, outra parte do problema permanece sem solução. O Fertility Centre of Orlando, operado pela IVF Life, anunciou que encerrará suas atividades em 20 de maio. O fechamento ocorre em meio às investigações e deixa perguntas sem resposta sobre o paradeiro dos embriões biológicos de Tiffany e Steven. O casal possuía três embriões viáveis que deveriam estar armazenados na unidade.
“Isso encerra um capítulo em nossa jornada dolorosa, mas levanta novos problemas que terão de ser resolvidos. Além disso, as perguntas sobre a disposição de nossos próprios embriões ainda não foram respondidas e são ainda mais improváveis de serem respondidas algum dia”, pontuou o casal. O processo legal continuará aberto para tratar do destino desse material genético desaparecido.
A clínica havia declarado anteriormente que estava cooperando com as investigações para determinar a origem do erro. Agora, a defesa do casal pretende focar também na compensação financeira pelos gastos e pelo trauma emocional sofrido. A incerteza sobre se os embriões de Tiffany e Steven foram implantados em outra pessoa ou simplesmente descartados continua sendo o ponto central das próximas etapas do litígio.