Novo fóssil reforça presença do Homo erectus na África do Sul há 2 milhões de anos
Pesquisadores da Universidade La Trobe, na Austrália, e de instituições da África do Sul e dos Estados Unidos descreveram, em setembro de 2026, um fragmento de crânio atribuído ao Homo erectus, encontrado em Drimolen, perto de Joanesburgo, na África do Sul. O fóssil, identificado como DNH 127, reforça as evidências de que essa espécie humana antiga já habitava a região há aproximadamente 2 milhões de anos.
A descoberta foi apresentada em um estudo publicado em 25 de setembro na revista Annals of Human Biology. A pesquisa examinou 18 fósseis de crânios e mandíbulas escavados entre 1992 e 2019, mas que ainda não haviam recebido uma descrição anatômica completa.
O trabalho acrescenta informações sobre uma fase da evolução humana em que diferentes espécies de hominínios compartilhavam o território africano, seguindo trajetórias evolutivas distintas.
Um fragmento de crânio de quase 2 milhões de anos
O DNH 127 preserva partes dos ossos temporal, parietal e occipital, localizados principalmente nas regiões lateral e posterior do crânio. Embora incompleto, o material apresenta características anatômicas que levaram os pesquisadores a atribuí-lo provisoriamente ao Homo erectus.
O fragmento pertenceu a um indivíduo adulto, algo especialmente importante para os cientistas. Até então, o principal fóssil dessa espécie identificado em Drimolen era o DNH 134, um crânio de uma criança que teria morrido entre dois e quatro anos de idade.
Como os ossos do crânio mudam durante o crescimento, a identificação de um exemplar adulto permite ampliar as comparações anatômicas e avaliar características que ainda não estavam completamente desenvolvidas no indivíduo infantil.
A idade estimada para os depósitos fossilíferos de Drimolen varia de 2,04 milhões a 1,95 milhão de anos. O sítio está localizado a aproximadamente 40 quilômetros de Joanesburgo, em uma área conhecida como Berço da Humanidade, reconhecida pela Unesco.
A descoberta confirma uma datação conhecida desde 2020
Apesar da referência a uma antecipação de 200 mil anos na história do Homo erectus, o novo estudo não estabeleceu essa mudança cronológica pela primeira vez.
Em abril de 2020, uma pesquisa publicada na revista Science já havia apresentado o DNH 134 como uma das evidências mais antigas de um crânio com características de Homo erectus.
Na época, a descoberta indicou que representantes dessa linhagem existiam no sul da África por volta de 2 milhões de anos atrás, antes dos fósseis de aproximadamente 1,8 milhão de anos encontrados em Dmanisi, na Geórgia.
A diferença de cerca de 200 mil anos, portanto, refere-se à comparação com registros anteriores, especialmente os de indivíduos adultos. O DNH 127 fortalece a interpretação proposta em 2020, mas não representa uma nova antecipação de 200 mil anos.
Em comunicado divulgado pela Universidade La Trobe, o arqueólogo JMisterios do Mundo. Cópias não são autorizadas.