Mulher relata que corvos deixaram pão na varanda após ela parar de alimentá-los
A escritora indiana Tejaswinee Roychowdhury relatou, em 15 de setembro de 2026, que corvos passaram a deixar pedaços de pão na varanda de uma acomodação temporária em Calcutá, na Índia, depois que ela interrompeu a alimentação diária das aves. A história foi publicada em seu perfil na rede social X, acompanhada de uma fotografia mostrando pequenos pedaços de alimento espalhados pelo chão.
Tejaswinee, que também atua como editora literária e pesquisadora de doutorado em Direito na Universidade de Calcutá, explicou que vinha oferecendo biscoitos aos corvos que frequentavam a varanda. Quando percebeu que estava ficando sem o alimento, decidiu interromper a rotina.
Na manhã seguinte, encontrou os pedaços de pão. A escritora interpretou o episódio como uma possível tentativa das aves de fornecer comida à pessoa que costumava alimentá-las.
Embora a publicação original esteja documentada, a intenção atribuída aos animais não foi comprovada cientificamente. As imagens mostram o alimento na varanda, mas não permitem determinar por que ele foi deixado naquele local.
O que aconteceu depois que os corvos ficaram sem biscoitos
Segundo Tejaswinee, os animais já estavam acostumados a visitar a varanda em busca dos biscoitos que ela disponibilizava. A interrupção aconteceu porque sua reserva estava acabando.
Na publicação de 15 de setembro, ela afirmou acreditar que os corvos haviam deixado pão por perceberem a falta de comida. A interpretação partiu da própria escritora, não de uma observação científica sobre o comportamento das aves.
O episódio teve novos desdobramentos dois dias depois.
Em 17 de setembro, Tejaswinee explicou que havia descoberto que os biscoitos do tipo Marie, oferecidos anteriormente em pequenas quantidades, não eram nutricionalmente adequados para os corvos.
Ela decidiu substituí-los por amêndoas sem sal. Também compartilhou imagens das aves consumindo o novo alimento.
Na mesma data, publicou outra atualização, afirmando que novos pedaços de pão haviam aparecido na varanda depois da oferta das amêndoas.
Diante da repetição, considerou duas possibilidades: os corvos poderiam estar tentando recuperar os biscoitos anteriores ou demonstrando algum tipo de agradecimento. Ela própria reconheceu não saber qual seria a explicação.
A escritora esclareceu ainda que estava hospedada temporariamente no imóvel, por aproximadamente duas semanas, e que deixaria o local poucos dias depois.
O que a ciência sabe sobre presentes oferecidos por corvos
A capacidade dos corvos de reconhecer pessoas e aprender com experiências anteriores está documentada em pesquisas científicas.
Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Washington, publicado inicialmente em 2011, demonstrou que corvos-americanos conseguem identificar rostos humanos associados a situações de perigo.
Os pesquisadores utilizaram máscaras específicas durante a captura e identificação das aves. Posteriormente, observaram que indivíduos não capturados também reagiam às máscaras consideradas ameaçadoras, indicando transmissão de informações entre os animais.
Durante cinco anos de acompanhamento, a resposta de alerta aumentou e se espalhou por uma distância de pelo menos 1,2 quilômetro em uma das áreas estudadas.
Entretanto, reconhecer pessoas não significa necessariamente compreender suas necessidades ou tentar ajudá-las.
O pesquisador John Marzluff, especialista em corvídeos da Universidade de Washington, explicou em entrevista ao North Cascades Institute que existem relatos recorrentes de corvos deixando objetos para humanos, mas determinar se essas entregas são intencionais continua sendo um desafio.
Entre os objetos encontrados em situações semelhantes estão pedras, pequenos metais, peças de plástico e outros materiais recolhidos pelas aves.
Especialistas ouvidos pela National Audubon Society também consideram explicações alternativas, incluindo curiosidade, abandono casual de objetos e comportamentos aprendidos por associação com recompensas alimentares.
Um experimento publicado na revista científica Ethology, em 2019, não encontrou evidências de reciprocidade calculada entre corvos e corvos-comuns em uma tarefa envolvendo troca de objetos por comida.
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