Mulher que teria sido obrigada a se desculpar com homem que a abusou agora está processando a polícia

📅 31/10/2025 👁️ 1 visualizações 🏷️ Bizarro

Uma jovem de 22 anos da Flórida entrou com um processo contra o Gabinete do Xerife do Condado de Polk, alegando ter sido forçada a se desculpar com o homem que a abusou sexualmente quando era criança. O caso, que vem chamando atenção nos Estados Unidos, expõe falhas graves no sistema de proteção a menores e na condução de investigações de abuso infantil.

Segundo documentos judiciais, a jovem, identificada como Taylor Cadle, acusa o xerife Grady Judd e a investigadora Melissa Turnage de terem ignorado suas denúncias e a obrigado a assumir a culpa por crimes que não cometeu. O processo foi aberto em outubro e relata que Taylor sofreu anos de abusos enquanto vivia sob a guarda de seus pais adotivos, Henry Cadle e sua esposa, para quem foi enviada após passar um período no sistema de acolhimento.

Acusações de abuso e a primeira denúncia

Entre os 9 e 13 anos, Taylor afirma ter sido violentada repetidamente por Henry. Depois de anos em silêncio, ela contou o que acontecia a um membro da igreja que frequentava. Essa pessoa, alarmada com o relato, comunicou o caso às autoridades locais.

Mas, de acordo com o processo, o que deveria ter sido o início de uma investigação de proteção se transformou em um novo trauma. Taylor diz que os investigadores duvidaram de sua palavra e a acusaram de mentir. Em vez de receber amparo, foi obrigada a escrever cartas de desculpas a seu agressor.

Taylor Cadle afirma que a polícia a obrigou a se desculpar com seu agressor (People/Estado da Flórida)

Taylor Cadle afirma que a polícia a obrigou a se desculpar com seu agressor (People/Estado da Flórida)

Uma dessas cartas, dirigida a “pai”, dizia: “Sinto muito pelo que fiz… Não parei para pensar nas consequências.” Outra, escrita a um policial, incluía a frase: “Sei que o que fiz não foi certo, e por isso aceito as consequências. Isso nunca acontecerá novamente.”

O processo alega que essas cartas foram redigidas sob coação e que a investigadora Turnage chegou a dizer ao agressor: “Basicamente, Taylor inventou essas acusações de abuso sexual.”

Pressão e condenação injusta

Com o apoio da esposa de Henry, Taylor acabou sendo levada a confessar falsamente o crime de apresentar uma denúncia mentirosa, como parte de um acordo de liberdade condicional. A condição para evitar a prisão seria escrever as cartas de desculpas e retornar à casa dos pais adotivos — o mesmo local onde os abusos haviam ocorrido.

De volta ao ambiente de violência, Taylor decidiu reunir provas por conta própria. Ela registrou imagens do abuso e as entregou às autoridades algum tempo depois. O material acabou servindo como prova definitiva contra Henry, que foi preso e condenado em 2017 por agressão sexual contra menor sob custódia. Atualmente, ele cumpre 17 anos de prisão no sistema penitenciário da Flórida.

A resposta das autoridades

Com a divulgação do processo, o Gabinete do Xerife do Condado de Polk emitiu um comunicado à imprensa negando todas as acusações. A instituição classificou o caso como “uma manobra publicitária” e afirmou que a investigação original, conduzida anos atrás, foi “extensa e baseada nas evidências disponíveis”.

Em nota enviada à revista People, o gabinete declarou: “Infelizmente, na sociedade altamente litigiosa de hoje, advogados entram com ações que incluem alegações falsas e enganosas, revisando investigações de nove anos atrás. Nossos agentes agiram de forma racional e deliberada com base nas informações que tinham.”

Apesar da defesa do órgão, os advogados de Taylor sustentam que ela foi revitimizada pelas autoridades responsáveis por protegê-la. O processo pede indenização por danos morais e punitivos, além do pagamento das despesas legais.

O caso reacende o debate sobre o tratamento dado a vítimas de abuso sexual infantil e a responsabilidade das instituições que deveriam garantir a segurança dessas pessoas.