Jim Carrey comparou a depressão a um “descanso profundo” em entrevista de 2017
Em setembro de 2017, durante uma entrevista no Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF), no Canadá, Jim Carrey falou sobre sua experiência com a depressão e comparou o transtorno à necessidade de abandonar uma identidade construída para os outros. A conversa ocorreu durante a divulgação do documentário Jim & Andy: The Great Beyond. A fala foi posteriormente .
O que o ator disse na entrevista
Na gravação divulgada pelo TIFF, Carrey distingue tristeza e depressão. Segundo ele, a tristeza pode surgir de acontecimentos da vida, enquanto a depressão, em sua interpretação, estaria associada ao esgotamento de manter um personagem social.
Ao explicar essa ideia, o ator afirma que a pessoa pode chegar ao ponto de sentir que não quer mais sustentar a imagem que criou para o mundo. Ele usa sua experiência como artista para falar sobre a diferença entre quem alguém é e o papel que acredita precisar desempenhar diante dos demais.
Carrey também descreve um período em que passou a lidar de outra forma com os próprios sentimentos. Na entrevista de 2017, posteriormente remasterizada pelo TIFF, ele relata que já havia enfrentado depressão, mas que, naquele momento, não se reconhecia mais nessa condição. Isso é um relato pessoal, não uma conclusão sobre o que acontece com todas as pessoas com o transtorno.
A origem da ideia de descanso profundo
O próprio Carrey atribui a expressão ao escritor e professor espiritual Jeff Foster, que apresenta uma interpretação da palavra inglesa depressed como deep rest, traduzida como “descanso profundo”.
Em seu site oficial, Foster desenvolve a ideia de que parte do sofrimento pode estar ligada à pressão para sustentar uma imagem de si mesmo. Ele propõe acolhimento das emoções, autoconhecimento e repouso como elementos de sua abordagem espiritual.
A relação entre as duas expressões é um jogo de palavras em inglês. Não corresponde à etimologia da palavra depressão nem a um conceito usado para diagnosticar a doença.
A publicação que circula nas redes reproduz o sentido central das falas de Carrey, mas adapta a linguagem e reúne frases em sequência. A observação sobre um possível colapso ser um sinal de que algo na vida exige atenção não faz parte do trecho da entrevista verificado. Portanto, não deve ser apresentada como uma citação literal confirmada do ator.
O que a medicina sabe sobre depressão
A Organização Mundial da Saúde (OMS) descreve a depressão como um transtorno mental que pode envolver tristeza persistente, irritabilidade, falta de prazer, alterações no sono ou apetite, cansaço, dificuldades de concentração e sentimentos de desesperança.
Os episódios depressivos envolvem sintomas presentes durante a maior parte do dia, quase todos os dias, por pelo menos duas semanas. A intensidade e o impacto sobre a rotina também são considerados na avaliação profissional.
Segundo a OMS, as causas envolvem uma combinação de fatores biológicos, psicológicos e sociais. Experiências estressantes e perdas podem aumentar o risco, mas não existe uma única explicação para todos os casos.
A ideia de que a depressão seria sempre resultado de representar um personagem, portanto, não tem comprovação como explicação geral do transtorno. Descansar e rever situações desgastantes pode fazer parte dos cuidados com a saúde mental, mas não substitui tratamentos clínicos quando necessários.
Dados da OMS estimam que, em 2023, aproximadamente 322 milhões de pessoas conviviam com depressão no mundo. Existem tratamentos eficazes, incluindo abordagens psicológicas e, conforme a gravidade, medicamentos.
Onde buscar atendimento no Brasil
No Brasil, o Ministério da Saúde orienta que o tratamento considere a avaliação individual e pode envolver psicoterapia e antidepressivos. O acompanhamento não deve ser interrompido por conta própria, mesmo quando há melhora dos sintomas.
A rede pública oferece atendimento pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS), que funcionam como porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS). Pessoas que necessitam de acompanhamento especializado também podem receber atendimento nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).
Em situações de urgência, a rede do SUS inclui Unidades de Pronto Atendimento (UPA), prontos-socorros e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo número 192.
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