Japão lança missão para coletar rochas de lua de Marte e trazê-las à Terra

📅 23/10/2026 👁️ 1 visualizações 🏷️ Curiosidades
Representação artística da sonda japonesa MMX na superfície de Fobos, com Marte ao fundo.

A Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA) lançou, em 19 de outubro de 2026, uma missão espacial destinada a coletar amostras de Fobos, uma das duas luas de Marte, e trazê-las à Terra. Batizada de Martian Moons eXploration (MMX), a sonda partiu do Centro Espacial de Tanegashima, no Japão, a bordo de um foguete H3. Se todas as etapas forem concluídas, o material deverá chegar ao nosso planeta em 2031.

O lançamento aconteceu às 16h41 pelo horário de Brasília, quando já eram 4h41 de 20 de outubro no Japão. Segundo o comunicado oficial da JAXA, o foguete seguiu a trajetória planejada e liberou a espaçonave aproximadamente 71 minutos depois da decolagem.

Em 21 de outubro, a agência japonesa confirmou que a MMX havia concluído com sucesso a fase inicial de operações críticas, incluindo procedimentos necessários para estabelecer o funcionamento da sonda. A equipe passou então a preparar os equipamentos para a viagem até Marte.

A missão é liderada pelo Japão e conta com a participação da NASA, da Agência Espacial Europeia (ESA) e das agências espaciais da França e da Alemanha.

O que a sonda fará em Fobos

Marte possui duas pequenas luas, Fobos e Deimos, ambas de formato irregular. Fobos, a maior delas, mede aproximadamente 27 quilômetros em sua maior dimensão, enquanto Deimos chega a cerca de 15 quilômetros.

A MMX deverá alcançar Marte em agosto de 2027. Conforme o cronograma divulgado pela ESA, a espaçonave entrará em uma trajetória quase sincronizada com Fobos, permitindo observar sua superfície, composição e características geológicas.

A missão também transporta um pequeno veículo robótico chamado Idefix, desenvolvido pelas agências espaciais alemã e francesa. Com 25 quilogramas de massa, o robô será enviado à superfície de Fobos para estudar o terreno e ajudar na seleção de locais adequados à coleta de amostras.

A operação será particularmente difícil devido à gravidade extremamente baixa. Segundo o Centro Aeroespacial Alemão, o robô deverá realizar aproximadamente 100 dias de exploração, enfrentando grandes variações de temperatura e condições de deslocamento diferentes das encontradas na Terra.

Depois dessa etapa, a espaçonave principal deverá pousar em Fobos e recolher pelo menos 10 gramas de material de sua superfície.

O que as rochas poderão revelar sobre Marte

Um dos principais objetivos da missão é investigar a origem das duas luas marcianas, uma questão que permanece sem resposta definitiva.

Existem duas hipóteses importantes. A primeira propõe que Fobos e Deimos sejam antigos asteroides capturados pela gravidade de Marte. A segunda sugere que tenham se formado a partir de fragmentos lançados ao espaço depois de uma grande colisão envolvendo o planeta.

A análise da composição química e mineralógica das amostras poderá ajudar a distinguir essas possibilidades.

Segundo a NASA, a missão também utilizará um instrumento chamado MEGANE, desenvolvido para medir raios gama e nêutrons emitidos pela superfície de Fobos. Essas medições permitirão investigar quais elementos químicos estão presentes no satélite.

Os resultados poderão fornecer informações sobre a formação de Marte e a evolução do Sistema Solar. A JAXA também pretende utilizar as observações para estudar processos que contribuíram para o surgimento de condições potencialmente habitáveis nos planetas rochosos.

Isso não significa que a missão tenha como objetivo encontrar organismos extraterrestres. Sua prioridade é compreender a origem e a história geológica das luas marcianas.

Quando as amostras chegarão à Terra

De acordo com o planejamento apresentado pela ESA, a coleta das rochas está prevista para 2030. Depois disso, a espaçonave deverá iniciar o percurso de retorno, transportando o material em uma cápsula especialmente preparada para protegê-lo.

A chegada está programada para 2031, com pouso da cápsula na Austrália. As amostras serão posteriormente encaminhadas ao Japão, onde passarão por procedimentos de catalogação e análise antes de serem compartilhadas com pesquisadores de instituições participantes.

Caso tenha sucesso, a MMX será a primeira missão a trazer material de uma lua de Marte para laboratórios terrestres e a realizar uma viagem de ida e volta ao sistema marciano.

A análise em laboratório permitirá utilizar equipamentos científicos maiores e mais sensíveis do que aqueles transportados por sondas espaciais.

A missão também deverá observar Deimos e estudar aspectos de Marte, ampliando o conjunto de dados disponível sobre o planeta e seus satélites naturais.

Até outubro de 2026, entretanto, apenas o lançamento e as operações iniciais estavam confirmados. A chegada a Marte, o pouso em Fobos, a coleta das rochas e o retorno à Terra ainda dependem da execução das próximas etapas da missão.

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