A procrastinação no trabalho é quase um esporte silencioso. Em escritórios, lojas, empresas e repartições, muita gente já deu aquela espiada no celular, abriu uma aba sem relação com o serviço ou pesquisou algo completamente aleatório enquanto deveria estar concentrado em uma tarefa.
O problema começa quando essa distração deixa rastros. E, no caso de Josh Williams, esses rastros não ficaram escondidos em alguma pasta esquecida do computador. Eles foram impressos.
Josh contou que ainda estava em período de experiência no emprego quando foi demitido. Segundo ele, a carga de trabalho simplesmente não era suficiente para ocupar todo o seu tempo. Sem tarefas novas e com o computador da empresa à disposição, ele começou a fazer pesquisas no Google durante o expediente.
Entre os assuntos que chamaram sua atenção estavam temas curiosos e bem distantes da rotina profissional, como “dentes turcos” e “botox malfeito de Simon Cowell”. Para a empresa, porém, não se tratava apenas de curiosidade inocente. O histórico de navegação virou uma espécie de dossiê contra ele.
O histórico virou prova
Josh Williams falou abertamente sobre o ocorrido (Kennedy News and Media)
Josh afirmou que seus gestores imprimiram mais de 50 horas de seu histórico de buscas. O material teria sido usado durante o processo que levou à sua demissão, tornando a situação ainda mais constrangedora.
Ele explicou que já vinha enfrentando problemas no emprego. “Eu ainda estava no período de experiência no trabalho de onde fui demitido. Tive dois ou três dias de doença e as desculpas que usei eram simplesmente desculpas muito estúpidas”, disse.
A falta de atividades também pesou. “Chegou a um ponto em que a carga de trabalho para mim simplesmente não era suficiente. Eu simplesmente não recebia trabalho, então me vi pesquisando coisas no computador da empresa”, contou.
Para muitas empresas, o uso do computador corporativo é monitorado, especialmente quando o funcionário está em período de experiência. Buscas repetidas, acessos prolongados e atividades sem relação com o cargo podem ser interpretados como falta de comprometimento, mesmo quando o funcionário afirma que não tinha demandas suficientes.
Depois da demissão, Josh ficou sem renda. Foi então que decidiu transformar a situação em conteúdo para o TikTok. Ele acreditou que expor o caso poderia render visualizações, talvez alguma oportunidade, ou pelo menos uma forma de lidar com o constrangimento.
O vídeo viralizou e trouxe novos problemas
A publicação realmente chamou atenção. O problema é que a repercussão não ajudou apenas a espalhar a história. Ela também chegou a possíveis empregadores.
Josh contou que, depois da viralização, perdeu outras três oportunidades de trabalho. Segundo ele, as empresas reconheceram o vídeo e passaram a associar seu nome ao episódio.
“Eles obviamente reconheceram o vídeo e disseram que meus valores não estavam alinhados com os da empresa”, explicou.
Ele descreveu a sensação de forma direta: “Basicamente dizendo: vimos seu TikTok e achamos que você é uma porcaria, e não vamos te aceitar aqui, em outras palavras. Obviamente eu não me senti bem com isso. Isso me deixou bastante envergonhado, para ser honesto, e com bastante vergonha de mim mesmo.”
A história acabou se tornando uma bola de neve digital. O que começou como buscas aleatórias durante o expediente virou uma demissão. Depois, a tentativa de transformar a demissão em conteúdo acabou afetando novas entrevistas e oportunidades.
Josh decidiu seguir como criador de conteúdo em tempo integral. Ainda assim, ele reconhece que o episódio teve consequências bem maiores do que parecia no início.
“Pode parecer bastante engraçado, mas acho que, olhando para a minha situação e para como isso me impactou, eu diria que provavelmente é uma das piores coisas que você pode fazer para futuros empregos, para sua carreira e coisas assim”, afirmou.