Homem de 30 anos, que deve desenvolver sintomas de demência na casa dos 40, corre a Maratona de Londres carregando uma geladeira nas costas

📅 26/04/2026 👁️ 6 visualizações 🏷️ Variedades

A Maratona de Londres começou neste domingo com milhares de corredores pelas ruas da capital inglesa, mas uma das histórias mais marcantes da prova não está ligada ao tempo no cronômetro. Enquanto atletas de elite tentam se aproximar da barreira das duas horas, outros participantes chamam atenção por motivos bem diferentes.

Entre fantasias, desafios físicos incomuns e campanhas de arrecadação, um corredor acabou se destacando: Jordan Adams. Ele decidiu completar os 42,2 km da prova carregando uma geladeira amarrada às costas.

A cena por si só já seria suficiente para virar assunto. Mas, no caso de Jordan, o objeto pesado não é apenas parte de uma aposta ou de uma tentativa de chamar atenção. A geladeira representa uma carga invisível que ele e muitas outras pessoas carregam todos os dias.

Jordan participa da maratona ao lado do irmão, Cian, dentro de uma missão muito maior: correr 32 maratonas em 32 dias para aumentar a conscientização sobre a demência frontotemporal, também conhecida pela sigla FTD.

A doença neurodegenerativa afeta o cérebro de forma progressiva e pode alterar comportamento, personalidade, linguagem e funções cognitivas. Para os irmãos Adams, o tema não é distante. Ele atravessa a história da própria família.

Uma doença que mudou a família

Instagram/@jord_adams

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Jordan e Cian ainda eram adolescentes quando a mãe deles, Geraldine, foi diagnosticada com demência frontotemporal. A doença avançou ao longo dos anos e transformou profundamente a rotina da família.

Geraldine morreu cinco anos depois do diagnóstico. Após a perda, os irmãos receberam outra notícia difícil: os dois carregam um gene raro ligado à FTD. Isso significa que eles provavelmente enfrentarão um diagnóstico semelhante quando chegarem à casa dos 40 anos.

Jordan já falou publicamente sobre o impacto dessa informação. Segundo ele, a parte mais cruel é saber o que pode vir pela frente, porque ele acompanhou de perto o avanço da doença na mãe.

“É cruel porque eu sei exatamente o que está vindo. Eu vi cada etapa desse processo, vendo minha mãe ser despida de tudo que fazia dela quem ela era, e o efeito que isso teve não só nela, mas nas pessoas ao redor dela”, disse Jordan.

Mesmo com esse cenário, os irmãos decidiram transformar a dor em movimento. No ano passado, Jordan e Cian já haviam corrido toda a extensão do Reino Unido para arrecadar dinheiro e chamar atenção para a causa.

Agora, a nova campanha leva o esforço físico a outro nível. Além de encarar uma sequência de 32 maratonas, Jordan decidiu fazer a prova de Londres carregando uma geladeira nas costas, em meio ao calor da cidade.

O peso que muita gente não vê

Jordan e Cian correram por todo o Reino Unido para arrecadar dinheiro no ano passado (Instagram/thefdtbrothers)

Jordan e Cian correram por todo o Reino Unido para arrecadar dinheiro no ano passado (Instagram/thefdtbrothers)

A corrida também tem ligação com a saúde mental. Jordan contou à instituição Mind que sofreu muito depois da morte da mãe e após descobrir sua própria predisposição genética.

“Eu desmoronei. Depressão. Pensamentos intrusivos. A sensação de que meu futuro já tinha sido escrito”, afirmou.

Ele também explicou que o apoio de outras pessoas foi essencial nesse período. “Mas o que me salvou foram as pessoas. Amigos. Família. Apoio. Pessoas que me ajudaram a carregar o peso quando ele parecia insuportável. E é disso que se trata.”

Para Jordan, correr com uma geladeira nas costas é uma forma visual de mostrar algo que geralmente permanece escondido. O objeto funciona como símbolo da carga emocional, mental e familiar que muitas pessoas enfrentam em silêncio.

“Esta maratona com uma geladeira nas minhas costas não é apenas um desafio. É um símbolo. Porque é assim que às vezes parece: como se você estivesse carregando algo pesado que ninguém mais consegue ver. Estou fazendo isso para tornar a demência visível. Mas, mais do que isso… para mostrar que, seja lá o que você esteja carregando, você não precisa carregar sozinho.”

Jordan também disse que, apesar da tristeza ligada à própria situação, vê uma oportunidade de ajudar outras pessoas.

“Tenho uma grande oportunidade, apesar da tristeza das minhas circunstâncias, de fazer a diferença e mudar a vida de milhares de pessoas no futuro.” A imagem de um homem correndo mais de 42 km com uma geladeira nas costas chamou atenção por parecer absurda à primeira vista. Mas, por trás do gesto, há uma história familiar marcada por perda, risco genético, saúde mental e o desejo de dar visibilidade a uma doença que muitas vezes avança de forma silenciosa dentro das casas.