Fotógrafa defende pintar elefante de rosa-choque enquanto o animal morre pouco depois da sessão de fotos

📅 01/04/2026 👁️ 3 visualizações 🏷️ Animais

A fotógrafa russa Julia Buruleva, baseada em Barcelona, tornou-se o centro de uma intensa controvérsia sobre direitos dos animais após realizar um ensaio fotográfico com um elefante em Jaipur, na Índia.

O projeto visual, que envolveu cobrir uma modelo e um animal de 65 anos com tinta rosa brilhante, gerou uma onda de críticas nas redes sociais e atraiu a atenção de autoridades ambientais indianas. A situação ganhou contornos mais graves com a notícia da morte do elefante meses após a sessão de fotos.

Buruleva passou seis semanas na capital do estado do Rajastão, no noroeste da Índia, para concretizar sua visão artística. Ela descreveu a experiência como o principal motivo de sua viagem ao país. Segundo a fotógrafa, a ideia surgiu após uma semana de imersão nas cores e imagens da cidade.

O elefante chamado Chanchal faleceu meses depois da sessão de fotos, disse o dono do animal (Instagram/@julia.buruleva)

O elefante chamado Chanchal faleceu meses depois da sessão de fotos, disse o dono do animal (Instagram/@julia.buruleva)

Ela afirmou que “provavelmente valeu a pena vir à Índia apenas para esta filmagem. Depois da primeira semana, quando meu cérebro já estava sobrecarregado com todas as cores e imagens da cidade, surgiu esta ideia: um elefante rosa contra os clássicos portões do Rajastão”.

A escolha do animal como elemento central da obra foi justificada pela onipresença desses paquidermes na região. Buruleva observou que os elefantes estão em todos os lugares, desde as ruas até a arquitetura e ornamentos locais. Ela explicou que “eles são frequentemente decorados para festivais e celebrações, os moradores locais os pintam em todos os tipos de cores. Decidi por um elefante rosa brilhante sólido, a cor mais popular no Rajastão”.

Os bastidores da produção em Jaipur

A organização do ensaio foi descrita pela fotógrafa como intensa. Julia Buruleva relatou que precisou visitar diversas fazendas de elefantes antes de encontrar um proprietário disposto a colaborar com o projeto. Em uma dessas fazendas, ela afirmou ter ido quatro vezes para demonstrar a seriedade de sua proposta ao gerente. Além da busca pelo animal, a localização também representou um desafio, sendo descrita por ela como um pesadelo logístico.

A fotógrafa Julia Buruleva insistiu que o elefante estava

A fotógrafa Julia Buruleva insistiu que o elefante estava ‘seguro’ e ‘calmo’ durante a sessão de fotos (Instagram/@julia.buruleva)

O ensaio foi finalmente realizado em um templo hindu abandonado. Para compor a cena, Buruleva recrutou uma modelo que aceitou ser pintada de rosa e posar com pouca roupa ao lado do animal. Imagens de bastidores publicadas no Instagram documentaram o processo de coloração da pele do elefante, que recebeu camadas de um pó rosa vibrante para atingir o tom desejado pela artista.

Diante do início das críticas, a fotógrafa tentou tranquilizar o público sobre o bem-estar do animal. Ela declarou que “para quem estiver preocupado com o elefante, usamos tinta orgânica, fabricada localmente, do mesmo tipo que os locais usam em festivais, por isso foi absolutamente seguro para o animal”. Buruleva reforçou que nenhum dano foi causado ao elefante em qualquer momento da produção, que teria ocorrido em novembro do ano anterior.

O uso de pigmentos e a tradição local

Pó rosa brilhante teria sido usado para colorir a pele do animal (Instagram/@julia.buruleva)

Pó rosa brilhante teria sido usado para colorir a pele do animal (Instagram/@julia.buruleva)

A defesa da fotógrafa baseia-se fortemente no uso de materiais que ela considera inofensivos. Em entrevistas, ela explicou que o pigmento foi aplicado por um período muito curto e era facilmente lavável. De acordo com seu relato, “toda a sessão foi breve e conduzida sob a supervisão do condutor do elefante, que é responsável por seus cuidados diários e bem-estar”.

Buruleva argumentou que o uso de cores em animais faz parte da paisagem cultural de Jaipur, onde elefantes participam de cerimônias e da vida cotidiana. Ela afirmou ter visto animais pintados todos os dias durante sua estadia, tratando a prática como uma extensão da tradição local. Para a fotógrafa, “é importante distinguir entre situações em que os animais são genuinamente prejudicados e aquelas em que as suposições podem não refletir totalmente as condições reais”.

O proprietário do elefante, Shadik Khan, confirmou que o animal se chamava Chanchal e que a substância utilizada foi o kaccha gulal. Khan detalhou que o ensaio durou cerca de 10 minutos e que a tinta rosa foi lavada imediatamente após o término das fotos. Ele reiterou que o pó colorido é temporário e não deixa manchas permanentes na pele do paquiderme.

A morte de Chanchal e a investigação oficial

A polêmica ganhou força quando foi revelado que Chanchal morreu em fevereiro de 2026, alguns meses após a sessão de fotos. A notícia da morte do elefante de 65 anos alimentou acusações de internautas que vincularam o estresse do ensaio ao falecimento do animal. Em resposta, Buruleva utilizou suas redes sociais para classificar as acusações como informações falsas.

Em um comunicado, a fotógrafa declarou que “há muita desinformação sendo espalhada sobre este projeto com o Elefante Rosa. Não sei quem começou isso, mas pelo que me disseram, o elefante faleceu recentemente devido à velhice e isso é triste, mas o ensaio fotográfico aconteceu mais de quatro meses antes e não teve nada a ver com isso. Por favor, verifique suas fontes antes de compartilhar informações falsas!”.

O fotógrafo indiano Saurav Kumar também se manifestou publicamente em apoio a Buruleva. Ele afirmou que “ela não trouxe um elefante da natureza nem forçou nada por causa de conteúdo. Tudo foi feito corretamente com o envolvimento e consentimento do proprietário. Quando o proprietário, que é responsável pelo animal, está de acordo, quem exatamente é você para sentar aqui e pregar sem contexto?”. Kumar defendeu que o uso de cores orgânicas e não tóxicas é uma prática tradicional na Índia.

Procedimentos legais e normas de bem-estar

Apesar das defesas apresentadas pela equipe de produção e pelo proprietário, o caso chegou às instâncias governamentais. Oficiais florestais indianos no Rajastão iniciaram uma investigação oficial sobre o ensaio fotográfico. O objetivo das autoridades é verificar se todas as permissões necessárias foram obtidas antes da realização das fotos no templo abandonado e se as regras de bem-estar animal vigentes na Índia foram integralmente respeitadas.

A legislação indiana possui normas rigorosas sobre o uso de animais em atividades comerciais e de entretenimento. A investigação busca esclarecer se a aplicação do pigmento em toda a extensão do corpo do animal de idade avançada configurou algum tipo de violação técnica ou maus-tratos. Até o momento, o processo segue em análise pelos órgãos ambientais do estado.

Julia Buruleva continua a sustentar que o elefante permaneceu calmo, relaxado e responsivo durante todo o tempo em que esteve no set de fotografia. A artista mantém o posicionamento de que seu trabalho foi uma celebração estética da cultura local e que o tempo decorrido entre as fotos e a morte natural do animal por senescência descarta qualquer relação de causalidade entre os eventos.