Fóssil de ave de 150 milhões de anos revela espécie que provavelmente não voava

📅 29/10/2026 👁️ 1 visualizações 🏷️ Animais
Ilustração de aves pré-históricas com dentes e garras curvas em uma floresta sob chuva.

Uma equipe de pesquisadores chineses identificou uma espécie de ave que viveu há aproximadamente 150 milhões de anos e provavelmente não conseguia voar. Batizado de Yuezhuornis yangyuanensis, o animal foi encontrado na província de Fujian, no sudeste da China. A descoberta foi apresentada em um estudo publicado na revista Nature em 14 de outubro de 2026.

O fóssil foi descoberto em agosto de 2024, na região de Zhenghe, durante escavações realizadas por cientistas da Academia Chinesa de Ciências e do Instituto de Ciências Geológicas de Fujian.

A espécie viveu entre 150 milhões e 148 milhões de anos atrás, no final do período Jurássico, quando os dinossauros dominavam os ambientes terrestres.

Com tamanho semelhante ao de um corvo e massa corporal estimada em 821 gramas, o animal reunia características de aves primitivas e de pequenos dinossauros carnívoros.

Uma ave com dentes serrilhados e garras de predador

O esqueleto preservado apresenta uma combinação de características anatômicas que chamou a atenção dos pesquisadores.

A região da bacia e os membros posteriores possuíam estruturas semelhantes às encontradas nas aves. Entretanto, o crânio apresentava dentes próximos uns dos outros, com bordas serrilhadas, características também observadas em determinados dinossauros predadores.

Outro detalhe estava nos pés. O segundo dedo possuía uma articulação capaz de permitir sua elevação acentuada, acompanhada de uma garra curva semelhante a uma foice.

Essa estrutura lembra as garras de dinossauros do grupo dos deinonicossauros, que inclui animais como o Velociraptor.

Segundo a Academia Chinesa de Ciências, a combinação dessas características sugere que o Yuezhuornis poderia explorar recursos alimentares no solo, possivelmente capturando pequenas presas.

A hipótese de comportamento predatório é baseada na anatomia. O fóssil não demonstra diretamente como o animal caçava nem quais organismos faziam parte de sua alimentação.

Min Wang, pesquisador do Instituto de Paleontologia de Vertebrados e Paleoantropologia e um dos responsáveis pelo estudo, destacou que o animal conservava características dos dinossauros carnívoros enquanto apresentava estruturas corporais típicas das aves.

Ossos indicam que a espécie provavelmente não voava

A principal descoberta surgiu da análise das proporções dos membros anteriores e posteriores.

Os pesquisadores identificaram que os membros anteriores do Yuezhuornis eram aproximadamente um terço mais curtos que os posteriores. Essa configuração é diferente daquela encontrada em muitas aves adaptadas ao voo.

Para investigar o significado dessa característica, a equipe comparou as proporções do fóssil com as de 377 espécies de aves atuais.

Os resultados mostraram maior semelhança com aves de hábitos terrestres, incluindo espécies que passam grande parte do tempo caminhando, como os faisões.

De acordo com o comunicado científico da Nature, as análises sustentam a interpretação de que a espécie vivia principalmente no chão e não possuía capacidade de voo.

Os cientistas também utilizaram métodos estatísticos para investigar a posição do animal na árvore evolutiva. Os resultados o colocaram entre os primeiros representantes de Avialae, grupo que inclui as aves modernas e seus parentes extintos mais próximos.

A posição evolutiva identificada torna a descoberta especialmente relevante porque sugere que a ausência de voo já existia em determinadas linhagens muito antigas de aves.

Entretanto, os pesquisadores não observaram diretamente o comportamento do animal. A conclusão sobre sua incapacidade de voar depende das evidências anatômicas e das comparações realizadas.

Descoberta amplia o conhecimento sobre as primeiras aves

O Yuezhuornis viveu aproximadamente na mesma época do Archaeopteryx, um dos animais mais conhecidos dos estudos sobre a origem das aves.

Durante muito tempo, a capacidade de voar foi considerada um dos principais fatores responsáveis pelas transformações anatômicas das primeiras aves.

O novo fóssil indica que essa história pode ter sido mais diversificada.

Enquanto algumas linhagens desenvolveram características