Estudo mostra que dedos humanos detectam objetos enterrados na areia antes de tocá-los
Pesquisadores da Queen Mary University of London e da University College London (UCL), no Reino Unido, demonstraram em um estudo publicado em outubro de 2025 que seres humanos conseguem detectar objetos enterrados na areia antes de tocá-los diretamente. A pesquisa envolveu 12 voluntários e identificou uma capacidade de perceber pequenas alterações mecânicas transmitidas pelos grãos de areia. Os resultados foram apresentados na conferência internacional IEEE International Conference on Development and Learning (ICDL), realizada em setembro daquele ano.
O fenômeno recebeu o nome de “toque remoto” e foi descrito pelos pesquisadores como a primeira demonstração experimental dessa capacidade em humanos. Segundo o estudo científico original, os participantes conseguiram identificar objetos ocultos com uma precisão de 70,7%, mesmo sem encostar diretamente neles.
A descoberta não significa que as pessoas possam perceber objetos sem qualquer contato físico. Os voluntários precisavam movimentar os dedos dentro da areia. A sensibilidade vinha das mudanças de pressão e resistência provocadas pela presença do objeto enterrado.
Como os cientistas realizaram o experimento
A equipe, formada por Zhengqi Chen, Laura Crucianelli, Elisabetta Versace e Lorenzo Jamone, desenvolveu um experimento com caixas de plástico contendo areia seca.
Os pesquisadores trabalharam com 12 participantes, quatro homens e oito mulheres, com idades entre 18 e 26 anos. Cada voluntário realizou 18 tentativas, totalizando 216 testes.
Dentro das caixas, os cientistas escondiam um cubo de plástico com 5 centímetros de lado. Em algumas tentativas, não havia nenhum objeto, permitindo avaliar se os participantes identificavam corretamente sua ausência.
Os voluntários introduziam o dedo indicador na areia e o movimentavam lentamente, acompanhando sinais luminosos que determinavam uma velocidade aproximada de 2 centímetros por segundo.
A orientação era interromper o movimento assim que percebessem o objeto, antes de encostar nele.
As caixas possuíam uma cobertura que impedia a visualização do conteúdo. Dessa maneira, os pesquisadores buscavam garantir que a identificação dependesse das sensações transmitidas pela areia, e não da visão.
Os resultados foram estatisticamente significativos. A análise mostrou que os participantes conseguiam distinguir a presença de objetos com desempenho superior ao esperado pelo acaso.
De acordo com os dados publicados pelos pesquisadores, a distância mediana de detecção foi de 2,7 centímetros. O alcance médio estimado pelo modelo físico utilizado no estudo foi de 6,9 centímetros.
Pessoas tiveram maior precisão que um robô com inteligência artificial
Para comparar a percepção humana com a tecnologia, os pesquisadores desenvolveram um segundo experimento utilizando um braço robótico equipado com sensores táteis.
O equipamento foi programado para movimentar um sensor pela areia, reproduzindo o movimento realizado pelos participantes.
Os dados coletados alimentaram um modelo de inteligência artificial do tipo Long Short-Term Memory (LSTM), desenvolvido para identificar padrões nas forças registradas durante o deslocamento.
Na configuração utilizada para a comparação principal, o sistema robótico apresentou precisão de 40%, enquanto os humanos alcançaram 70,7%.
O robô conseguiu perceber alterações a distâncias maiores em determinadas situações, mas apresentou mais falsos positivos, indicando a presença de objetos quando eles não estavam no local esperado.
Existe uma diferença importante na interpretação desses números: os percentuais representam a precisão das detecções, não a porcentagem de todas as tentativas concluídas corretamente.
O desempenho robótico também variou conforme a configuração. Um modelo ajustado para detectar objetos a distâncias menores alcançou 91% de precisão, demonstrando que o resultado de 40% não representa uma limitação geral da inteligência artificial.
O que explica o chamado sétimo sentido
O mecanismo estudado está