Estagiário de 17 anos identifica planeta com dois sóis após três dias na NASA
Em 2019, o estudante americano Wolf Cukier, de 17 anos, identificou sinais de um planeta que orbita duas estrelas cerca de três dias depois de começar um estágio no Centro de Voos Espaciais Goddard, da NASA, em Greenbelt, no estado de Maryland, nos Estados Unidos. A descoberta, feita com dados do telescópio espacial TESS, foi apresentada em 6 de janeiro de 2020, durante um encontro da Sociedade Astronômica Americana, no Havaí. O planeta recebeu o nome TOI 1338 b.
O episódio foi confirmado pela NASA em comunicado publicado no dia seguinte à apresentação. Cukier não encontrou o planeta olhando diretamente para o céu. Ele examinava medições de brilho de estrelas registradas pelo satélite, em busca de sinais que precisavam ser investigados.
O sinal que chamou a atenção do estudante
O trabalho do jovem consistia em analisar sistemas classificados por voluntários do projeto Planet Hunters TESS como binários eclipsantes. Nesses sistemas, duas estrelas giram uma em torno da outra e, vistas da Terra, podem passar uma diante da outra, produzindo diminuições periódicas no brilho observado.
Ao examinar os dados do sistema TOI 1338, Cukier percebeu uma queda de luminosidade que não correspondia ao momento esperado para um eclipse estelar. Segundo seu relato à NASA, a princípio ele acreditou estar diante de uma passagem de uma estrela à frente da outra, mas a diferença nos horários indicava outra explicação.
A suspeita passou por uma investigação coletiva. Pesquisadores liderados por Veselin Kostov verificaram que o sinal não era causado por falha instrumental, utilizando o programa de análise eleanor. Eles também cruzaram as medições do TESS com observações realizadas por telescópios terrestres.
O resultado apareceu posteriormente em um artigo publicado em maio de 2020 na revista científica The Astronomical Journal. Cukier figurou entre os autores do estudo, ao lado de astrônomos de várias instituições. Portanto, foi ele quem identificou o sinal inicial, enquanto a confirmação científica envolveu toda uma equipe.
Como funciona um planeta com dois sóis
TOI 1338 b fica a aproximadamente 1.300 anos-luz da Terra, na constelação do Pintor. Ele é classificado como circumbinário porque completa sua trajetória ao redor de duas estrelas, e não de apenas uma, como acontece com a Terra em relação ao Sol.
As estrelas do sistema giram uma em torno da outra a cada 14,6 dias. A maior possui cerca de 10% mais massa que o Sol. A menor é menos brilhante e tem aproximadamente um terço da massa solar. Já o planeta leva cerca de 95 dias para completar uma volta em torno das duas.
O TESS detectou o planeta pelo método de trânsito. Quando ele passa na frente da estrela mais brilhante, visto da perspectiva terrestre, uma pequena parte da luz fica bloqueada. Como as estrelas também estão em movimento, essas diminuições de brilho não surgem em intervalos perfeitamente regulares, o que dificulta sua identificação automática.
Na época do anúncio, a NASA informou que o planeta tinha raio aproximadamente 6,9 vezes maior que o da Terra, tamanho intermediário entre Netuno e Saturno. Essa dimensão se refere ao raio, não à massa. As imagens coloridas associadas à descoberta são ilustrações artísticas, não fotografias da superfície do planeta.
O que os cientistas descobriram depois
A história científica do sistema continuou após o anúncio de 2020. Em 2023, pesquisadores publicaram na revista Nature Astronomy a identificação de um segundo planeta, TOI 1338 c, também chamado BEBOP-1 c. Ele completa uma órbita em aproximadamente 215 dias e foi detectado por pequenas alterações na velocidade das estrelas, medidas por instrumentos em observatórios terrestres.
Um estudo de 2024, publicado no The Astronomical Journal, reuniu observações adicionais do TESS e medições terrestres para revisar as características dos dois planetas. A nova análise estimou o raio de TOI 1338 b em aproximadamente 7,7 vezes o da Terra, acima da estimativa divulgada na descoberta inicial.
O sistema está registrado com dois planetas confirmados no arquivo de exoplanetas mantido pela NASA. Os pesquisadores seguem refinando os valores de massa, densidade e trajetória orbital, informações necessárias para investigar a estrutura do planeta e as condições de sua atmosfera.
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