Espécie de vaga-lume é redescoberta nos EUA após 43 anos sem registros
Uma espécie de vaga-lume que não aparecia em registros científicos confirmados desde 1983 foi reencontrada nos Estados Unidos em 2026, após 43 anos. O inseto, chamado Pyractomena similis, foi observado em maio pelo pesquisador Aljoscha Nern, na Virgínia, e novamente em 3 de junho pelo entomologista Christopher Heckscher, da Universidade Estadual de Delaware, em uma pradaria do Parque Estadual Brandywine Creek, no estado de Delaware.
A redescoberta foi divulgada em 22 de outubro pela organização ambiental Re:wild e integra uma pesquisa publicada em 15 de outubro na revista científica Journal of Lost Species. O trabalho reúne informações sobre espécies de vaga-lumes que desapareceram dos registros científicos nos Estados Unidos e no Canadá.
O padrão de luz que permitiu identificar o inseto
Christopher Heckscher procurava especificamente pela espécie durante levantamentos realizados entre maio e junho de 2026. Ele visitou três áreas naturais nos estados de Maryland e Delaware, concentrando as buscas em campos e pradarias próximos de ambientes aquáticos.
Nas duas primeiras localidades, Fair Hill Natural Resources Management, em Maryland, e White Clay Creek State Park, em Delaware, não encontrou exemplares da espécie procurada.
Na noite de 3 de junho, durante a última etapa da pesquisa, Heckscher chegou a uma pradaria do Parque Estadual Brandywine Creek. O local apresentava vegetação baixa, arbustos e áreas que haviam crescido naturalmente.
Quando os vaga-lumes começaram a emitir luz, o pesquisador percebeu uma sequência diferente das observadas em outras espécies da região.
Os machos de Pyractomena similis produzem entre 10 e 20 pulsos luminosos rápidos, de tonalidade âmbar, seguidos por uma pequena pausa antes de repetirem a sequência. Os sinais são utilizados para atrair fêmeas durante o período reprodutivo.
Heckscher identificou aproximadamente oito a 12 vaga-lumes apresentando esse comportamento.
Segundo seu relato divulgado pela Re:wild, a coloração e o ritmo das emissões luminosas foram os primeiros indícios de que havia encontrado a espécie desaparecida dos registros.
A confirmação exigiu uma análise microscópica. O pesquisador examinou características anatômicas do aparelho reprodutor masculino que permitem distinguir Pyractomena similis de outros vaga-lumes semelhantes.
A identificação foi confirmada em 2 de julho.
Outro pesquisador encontrou a espécie semanas antes
Embora a descoberta de Heckscher tenha recebido destaque, ele não foi o primeiro a localizar o inseto em 2026.
Uma atualização publicada pela Re:wild em 27 de outubro informou que Aljoscha Nern, neurobiólogo interessado em vaga-lumes, havia observado a mesma espécie em 15 de maio, em McLean, na Virgínia, nas proximidades de Washington.
Nern registrou a observação na plataforma de ciência cidadã iNaturalist. A identificação também passou por análise microscópica e foi confirmada em 6 de julho.
Os dois registros são independentes e demonstram que a espécie sobrevive em pelo menos duas localidades do leste dos Estados Unidos.
Antes desses encontros, o último registro científico confirmado conhecido datava de 1983. A espécie tinha distribuição histórica em partes do leste e do sul do país, mas havia recebido pouca atenção dos pesquisadores.
O desaparecimento dos registros não significava que o animal estivesse oficialmente extinto. A ausência de observações poderia estar