A diplomacia internacional foi sacudida após a circulação de uma carta atribuída ao presidente dos Estados Unidos enviada ao primeiro-ministro da Noruega. O documento, que teria sido compartilhado entre diversas embaixadas europeias antes de vir a público, revela um tom incomum e agressivo ao tratar da Groenlândia, território autônomo ligado à Dinamarca e localizado no Ártico.
Logo nas primeiras linhas, o presidente demonstra irritação ao mencionar o Prêmio Nobel da Paz. Ele afirma que deixou de se sentir obrigado a pensar exclusivamente em paz porque, segundo suas palavras, a Noruega não lhe concedeu o prêmio por ter interrompido oito guerras. A alegação chamou atenção por um detalhe fundamental: o Nobel da Paz não é decidido pelo governo norueguês, mas por um comitê independente.
O conteúdo da carta segue numa direção ainda mais sensível. O presidente questiona diretamente o direito histórico da Dinamarca sobre a Groenlândia. Ele desdenha a reivindicação dinamarquesa dizendo que o território só pertenceria ao país porque um barco chegou ali há centenas de anos, acrescentando que os Estados Unidos também tiveram embarcações desembarcando na região no passado.
Historicamente, navegadores dinamarqueses se estabeleceram na Groenlândia muito antes da formação dos Estados Unidos como nação independente. A afirmação contida na carta, portanto, foi vista por analistas europeus como uma tentativa de enfraquecer argumentos legais e históricos ligados à soberania dinamarquesa.
Outro trecho do documento amplia a tensão ao declarar que o mundo não estaria seguro sem controle completo e total da Groenlândia pelos Estados Unidos. O argumento apresentado é que a Dinamarca não teria capacidade de proteger o território contra interesses estratégicos da Rússia e da China na região ártica.
Essa declaração ganhou peso porque a Groenlândia já mantém acordos militares com os Estados Unidos desde a década de 1950. Esses tratados permitem a instalação de bases e presença estratégica americana no território, algo que sempre foi tratado dentro de parâmetros diplomáticos e de cooperação.
A carta também contém críticas diretas à OTAN. O presidente afirma ter feito mais pela aliança do que qualquer outra pessoa desde sua fundação e diz que agora a organização deveria retribuir fazendo algo pelos Estados Unidos. Esse “algo” seria justamente apoiar a entrega da Groenlândia ao controle americano.
Enquanto isso, países europeus reagiram com forte desconforto. A divulgação do documento coincidiu com a imposição de tarifas comerciais de 10% aplicadas pelos Estados Unidos contra aliados europeus e o Reino Unido. A justificativa apresentada pela Casa Branca seria a falta de apoio desses países ao plano de aquisição da Groenlândia.
A resposta política veio rapidamente. O primeiro-ministro britânico declarou em coletiva que o uso de tarifas contra nações aliadas é completamente errado, deixando claro que a Europa não pretende ceder à pressão econômica