Descoberta de DNA lança nova luz sobre as origens do Santo Sudário

📅 02/04/2026 👁️ 8 visualizações 🏷️ Ciência

O Santo Sudário de Turim é um dos artefatos mais debatidos da história da humanidade. Trata-se de uma peça de linho com 4,4 metros de comprimento e 1,1 metro de largura que exibe a imagem de um homem com marcas de crucificação.

Para milhões de cristãos, esse tecido é a mortalha que envolveu o corpo de Jesus Cristo após sua morte. Guardado na Catedral de São João Batista, na Itália, desde o século 16, o objeto continua atraindo multidões e desafiando a ciência com novas descobertas sobre sua trajetória geográfica.

Uma análise genética recente conduzida por pesquisadores da Universidade de Pádua, na Itália, trouxe dados que tornam a história do tecido ainda mais complexa. Os cientistas examinaram materiais coletados do sudário em 1978 e identificaram que quase 40% do DNA humano presente na peça pertence a linhagens indianas. Essa informação sugere que o linho pode ter percorrido caminhos muito mais longos do que se imaginava anteriormente, conectando a Europa a regiões distantes do Oriente.

As rotas comerciais e o DNA indiano

Acredita-se que o Sudário de Turim seja o pano que cobriu o corpo de Jesus Cristo após seu sepultamento.

Acredita-se que o Sudário de Turim seja o pano que cobriu o corpo de Jesus Cristo após seu sepultamento.

A equipe de pesquisa observou que a concentração de material genético vindo da Índia não era algo previsto para um objeto supostamente restrito ao Oriente Médio e à Europa. No estudo, os especialistas afirmaram: “A presença de 38,7 por cento do total de dados genômicos humanos de linhagens indianas é inesperada e está potencialmente ligada a interações históricas associadas à importação de linho ou fio de regiões próximas ao Vale do Indo”.

Uma das hipóteses levantadas é que o Império Romano tenha importado o tecido ou a matéria-prima diretamente daquela região asiática. Isso explicaria como o DNA indiano foi parar nas fibras do linho muito antes de o sudário ganhar notoriedade no continente europeu.

O pesquisador Gianni Barcaccia conduziu análises que reforçaram esses achados, indicando que o objeto possui uma assinatura biológica global, composta por traços de diversas partes do mundo conhecido na época e em períodos posteriores.

Biodiversidade e vestígios biológicos no tecido

Além do material genético humano, o estudo revelou uma enorme variedade de vestígios de animais e plantas. Foram encontrados DNA de gatos e cachorros domésticos, animais de fazenda e espécies selvagens como veados e coelhos. No campo da fauna marinha, os cientistas detectaram sinais de tainha, bacalhau do Atlântico e peixes de nadadeiras raiadas, além de crustáceos e aracnídeos, como ácaros e carrapatos.

A análise botânica também surpreendeu ao encontrar DNA de cenoura, trigo, pimenta, tomate e batata. Algumas dessas plantas só chegaram à Europa depois que exploradores iniciaram viagens para a Ásia e para as Américas. Sobre essa diversidade, a equipe declarou: “Nossas descobertas destacam suas condições de preservação e interações ambientais, oferecendo perspectivas valiosas sobre as variantes genéticas identificadas, que se originaram de múltiplas fontes biológicas”.

Devido ao fato de o sudário ter sido manuseado por inúmeras pessoas ao longo de centenas de anos, torna-se difícil determinar o momento exato em que cada contaminação ocorreu.

Os pesquisadores explicaram que “o Sudário entrou em contato com múltiplos indivíduos, desafiando assim a possibilidade de identificar o DNA original do Sudário”. Os dados indicam que o tecido teve uma exposição extensiva na região do Mediterrâneo, enquanto reforçam a teoria de que o fio original pode ter sido produzido na Índia.