Em 1960, um grupo de pesquisadores apresentou um cálculo que chamou atenção pelo tom alarmista. Usando matemática e projeções demográficas, eles afirmaram ter encontrado uma data exata para o fim do mundo. Segundo essa equação, a humanidade teria apenas alguns meses restantes antes de um colapso total, marcado simbolicamente para uma sexta-feira, 13 de novembro.
O estudo foi desenvolvido por cientistas ligados à University of Illinois, em um período em que o crescimento populacional preocupava governos e acadêmicos. Os autores eram Heinz von Foerster, Patricia M. Mora e Lawrence W. Amiot. Eles observaram que, em apenas 60 anos, a população mundial havia saltado de cerca de 1,6 bilhão de pessoas em 1900 para aproximadamente 3 bilhões em 1960, mesmo após duas guerras mundiais devastadoras.
Na época, muitos acreditavam que o avanço tecnológico conseguiria acompanhar esse crescimento acelerado. Máquinas mais eficientes, novos métodos agrícolas e avanços médicos pareciam sustentar a expansão da humanidade. Ainda assim, os pesquisadores defendiam que esse equilíbrio não duraria para sempre. Para eles, a tecnologia só seria suficiente por mais algumas gerações.
No texto do estudo, os autores afirmaram que o aumento da densidade populacional tende a reduzir as chances de sobrevivência de cada indivíduo. Em um planeta com recursos limitados, o crescimento contínuo levaria a uma competição cada vez mais intensa. A frase mais marcante do trabalho afirmava que os descendentes distantes da humanidade não morreriam de fome, mas seriam “espremidos até a morte”, numa metáfora para a superlotação extrema.
Com base nessas ideias, os cientistas criaram uma fórmula que descrevia o crescimento populacional como uma curva exponencial. Ao estender esse cálculo, o resultado matemático apontava para um valor absurdo: a população humana se tornaria infinita em uma data específica, a sexta-feira, 13 de novembro de 2026. Para eles, esse ponto simbolizava o limite físico do planeta.
Esse tipo de previsão contrastava com outras profecias famosas. A vidente búlgara Baba Vanga falava em guerras interplanetárias como causa do fim da Terra. Já Nostradamus ficou conhecido por versos ambíguos que muitos associam a asteroides e catástrofes cósmicas. Os cientistas de Illinois, porém, viam o perigo dentro do próprio comportamento humano.
Décadas se passaram desde a publicação do estudo, e o cenário mudou. A população mundial continuou crescendo, mas o ritmo desacelerou de forma significativa. Atualmente, o planeta abriga cerca de 8,2 bilhões de pessoas, um número alto, porém distante da explosão infinita prevista pela equação de 1960.
De acordo com projeções da United Nations, a população global deve atingir seu pico por volta da década de 2080, com aproximadamente 10,3 bilhões de habitantes. Após esse ponto, a tendência é de queda gradual, com uma redução estimada de cerca de 700 milhões de pessoas até o ano 2100.
Essa mudança está ligada principalmente à queda nas taxas de natalidade. Em muitos países populosos, mulheres estão tendo menos filhos, seja por escolhas pessoais, fatores econômicos ou acesso a métodos contraceptivos. Esse fenômeno alterou completamente as projeções mais pessimistas feitas no século passado.
Enquanto o colapso populacional iminente perdeu força, surgiram previsões mais recentes sobre o destino do planeta. Pesquisadores da Toho University, no Japão, trabalharam em conjunto com cientistas da NASA para estudar o futuro distante da Terra. O foco não foi a população, mas a evolução do Sol e da atmosfera terrestre.
Utilizando cerca de 400 mil simulações computacionais, o estudo analisou quanto tempo a atmosfera rica em oxigênio conseguiria se manter. Os resultados indicaram que, em aproximadamente 1.000.002.021 anos, o planeta se tornaria completamente inabitável.
Nesse cenário distante, o aumento gradual da luminosidade solar elevaria as temperaturas da superfície a níveis extremos. Os oceanos evaporariam, a atmosfera ficaria rarefeita e nem mesmo microrganismos resistentes conseguiriam sobreviver. A vida, como é conhecida hoje, deixaria de existir muito antes desse estágio final.
Embora esses cálculos estejam muito além da escala humana, eles mostram como a ideia de “fim do mundo” mudou ao longo do tempo. O que antes era atribuído a guerras, superpopulação ou datas específicas passou a ser analisado com modelos astronômicos e climáticos, projetando um futuro em que o destino da Terra está ligado diretamente à vida do próprio Sol.