As últimas declarações do secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, acenderam um sinal de alerta sobre a possibilidade de um novo conflito em escala global. O cenário descrito por ele e por analistas militares traça um panorama preocupante que coloca Europa, Estados Unidos, Rússia e até mesmo a China em um tabuleiro de alta tensão.
O aumento da tensão entre OTAN e Rússia
A guerra entre Rússia e Ucrânia já dura alguns anos, mas nas últimas semanas a situação ganhou novos contornos. Após a Polônia anunciar que derrubou drones russos que violaram seu espaço aéreo, Moscou reagiu de forma agressiva. Para o Kremlin, esse ato representa um envolvimento direto da OTAN no conflito.
O porta-voz Dmitry Peskov afirmou: “A OTAN está em guerra com a Rússia; isso é óbvio e não precisa de provas. A aliança fornece apoio direto e indireto ao regime de Kiev.”
Pouco depois, Dmitry Medvedev, vice-chefe do Conselho de Segurança da Rússia, reforçou a ameaça em tom ainda mais grave: “A criação de uma zona de exclusão aérea sobre a Ucrânia e a permissão para que países da OTAN derrubem nossos drones significará apenas uma coisa: guerra entre OTAN e Rússia.”
Essas declarações coincidiram com novos exercícios militares da OTAN em resposta às repetidas violações aéreas, principalmente na Polônia. O próprio primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, destacou que não se tratava de um incidente comum, mas de um ato que comprometia a soberania nacional.
O papel da China e o alerta de Mark Rutte
Em entrevista ao New York Times, Mark Rutte foi direto ao falar sobre a possível entrada da China em um conflito de grandes proporções. Segundo ele, a estratégia de Pequim para invadir Taiwan poderia estar ligada a uma cooperação com Moscou.
“Não sejamos ingênuos”, disse Rutte. “Se o presidente Xi Jinping quiser atacar Taiwan, primeiro ligará para Vladimir Putin em Moscou e pedirá que mantenha a Europa ocupada atacando território da OTAN. Esse é, provavelmente, o caminho que as coisas tomariam.”
O risco, segundo especialistas, é de que Rússia e China se apoiem mutuamente em um cenário de guerra global: Moscou pressionando a Europa e Pequim avançando sobre Taiwan. Essa possibilidade preocupa líderes ocidentais, especialmente porque indicaria um esforço coordenado em duas frentes ao mesmo tempo.
Como poderia começar um conflito em 2025
O general Richard Shirreff, ex-comandante da OTAN, traçou um possível cenário de como a guerra poderia ter início ainda em 2025. Segundo ele, o estopim poderia ser algo aparentemente simples, como um apagão em Vilnius, capital da Lituânia, no dia 3 de novembro.
Com a cidade sem serviços essenciais, protestos e caos tomariam conta da população. Em seguida, falhas semelhantes atingiriam Letônia e Estônia, levando o presidente lituano Gitanas Nausėda a declarar lei marcial. O ministro da Energia, Dainius Kreivys, afirmaria que um ataque cibernético teria causado a pane elétrica.
A Polônia e a Suécia ofereceriam geradores para ajudar, mas o Kremlin colocaria suas tropas em Kaliningrado em estado de alerta. Confrontos armados começariam nas fronteiras, especialmente na região conhecida como Corredor de Suwałki, que liga a Lituânia à Polônia.
Soldados da OTAN seriam mortos, e um combatente capturado revelaria ser um mercenário checheno ligado a Moscou. Putin então alegaria que forças russas haviam sido atacadas e responderia com invasão direta.
Nesse ponto, Rutte anunciaria a ativação do Artigo 5 do tratado da OTAN, que obriga os países membros a reagirem coletivamente a uma agressão contra qualquer aliado. O Reino Unido entraria em alerta máximo, e a Polônia exigiria respeito imediato a seu espaço aéreo.
A escalada para uma guerra global
O cenário ficaria ainda mais dramático quando, em 6 de novembro, tropas russas atacassem o grupo de batalha avançado da OTAN estacionado na Lituânia. Nesse momento, Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, seria pressionado a agir, mas se recusaria a condenar Moscou, gerando divisões dentro da aliança.
Relatórios apontariam que forças russas teriam entrado em Vilnius, enquanto Finlândia e Polônia tentariam enviar reforços, bloqueados pelos ataques. No mesmo dia, o presidente chinês Xi Jinping declararia apoio total à Rússia e começaria uma ofensiva militar contra Taiwan.
Em 7 de novembro, navios de guerra chineses cercariam a ilha e mísseis seriam lançados. Trump reagiria impondo sanções econômicas, mas deixaria claro que não enviaria tropas para defender Taiwan. O Reino Unido, ao tentar manter relações comerciais com a China, enfrentaria retaliações.
Nesse turbilhão, a França, liderada por Emmanuel Macron, tomaria uma posição inesperada, aproximando-se de Pequim e defendendo que o controle dos Estados Bálticos fosse “reavaliado” em meio ao caos. Na prática, isso dividiria a OTAN e abriria espaço para uma guerra em múltiplos frontes.