Stephen Hawking, um dos físicos mais brilhantes da história, deixou um aviso que continua a ecoar nos corredores da ciência: tentar contato com civilizações extraterrestres pode ser um risco colossal para a humanidade.
Esse temor, expresso pelo cosmólogo britânico em diferentes momentos antes de seu falecimento em 2018, ganhou nova urgência com descobertas astronômicas recentes e estudos sobre os perigos da busca por inteligência alienígena.
Hawking argumentava que civilizações capazes de viagem interestelar ou comunicação interestelar provavelmente seriam muito mais avançadas tecnologicamente do que nós. Ele usava um exemplo histórico contundente: o encontro entre Cristóvão Colombo e os povos nativos das Américas, que teve consequências devastadoras para estes últimos.
“A história de raças avançadas encontrando povos mais primitivos neste planeta não é muito feliz, e eles eram da mesma espécie”, alertou em 2004. Para Hawking, observar discretamente seria muito mais prudente do que emitir sinais proclamando nossa existência.
Esse alerta ressurgiu com força por dois motivos principais. Primeiro, estudos sobre uma hipótese conhecida como “armadilha da inteligência” estão sendo discutidos por pesquisadores internacionais. Essa ideia sugere que encontrar vida alienígena inteligente, especialmente se for hostil, poderia representar uma ameaça existencial. O sucesso em detectar um sinal ou objeto extraterrestre poderia inadvertidamente atrair uma espécie com tecnologia superior e intenções destrutivas.
Segundo, um objeto espacial específico chamou a atenção de cientistas da Universidade de Harvard. Trata-se do cometa C/2019 U6 (Lemmon), também conhecido como 31/ATLAS. Embora inicialmente classificado como um cometa, sua trajetória extremamente incomum levantou suspeitas.
O cometa está prestes a passar por Júpiter, Vênus e Marte, antes de passar pela Terra (Nasa)
Ele fará passagens próximas por três planetas: Vênus, Marte e Júpiter. O professor Avi Loeb e sua equipe levantaram a possibilidade de que suas características anômalas poderiam indicar uma origem artificial, talvez uma sonda interestelar. Enquanto a maioria dos cientistas ainda o considera um cometa peculiar, a dúvida alimenta o debate sobre a prudência de tentar interagir com objetos desconhecidos.
Espera-se que o 31/ATLAS passe a cerca de 359 milhões de quilômetros da Terra ainda este ano. Se investigações futuras revelarem que não é apenas rocha e gelo, mas sim algo artificial, duas possibilidades se apresentam: intenções benignas ou intenções malignas.
Essa incerteza é o cerne da preocupação de Hawking. “Só precisamos olhar para nós mesmos para ver como a vida inteligente pode se desenvolver em algo que não gostaríamos de encontrar”, ele ponderou.
Curiosamente, teorias não científicas também se misturam a essa discussão. Alguns citam a falecida vidente búlgara Baba Vanga, que supostamente previu contato alienígena durante um “grande evento esportivo”. Com a Copa do Mundo Feminina de Rúgbi, finais da ATP e WTA, e corridas de F1 programadas para o restante do ano, há quem especule sobre a possibilidade de um evento assim.
Independentemente de profecias, a voz cautelosa de Stephen Hawking permanece relevante. Ele não era contra a busca por vida extraterrestre – apoiou projetos como o Breakthrough Listen, que escuta passivamente o cosmos em busca de sinais. Sua posição era contra a emissão ativa de mensagens destinadas a anunciar nossa localização no universo.
Enquanto objetos como o 31/ATLAS intrigam os astrônomos e estudos sobre a “armadilha da inteligência” avançam, o conselho do célebre físico serve como um guia importante: explorar o desconhecido exige não apenas curiosidade, mas também extrema prudência. O silêncio cósmico pode ser nossa maior proteção.