As tensões internacionais ganharam um novo capítulo após declarações explosivas vindas de Moscou. Um dos principais aliados de Vladimir Putin afirmou que, se Donald Trump mantiver o atual rumo de ações militares, uma terceira guerra mundial poderá começar “sem dúvida”.
O cenário já vinha se deteriorando desde o início de 2026. Em poucos meses, os Estados Unidos confirmaram a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e retomaram ataques com mísseis contra o Irã. Segundo informações oficiais americanas, as ofensivas resultaram na morte do líder supremo iraniano.
Trump declarou que as operações conduzidas em parceria com Israel podem continuar por várias semanas. De acordo com o presidente, os objetivos são claros: eliminar a capacidade naval e os mísseis iranianos, impedir o avanço do programa nuclear do país e interromper o apoio a grupos considerados terroristas.
Foi nesse contexto que Dmitry Medvedev, ex-presidente da Rússia e figura próxima de Putin, fez duras críticas.
A ameaça de uma escalada global
Questionado pela agência estatal russa TASS sobre a possibilidade de a Terceira Guerra Mundial já ter começado, Medvedev respondeu: “Formalmente, não, mas se Trump continuar seu curso insano de mudança criminosa de regime, ela começará sem dúvida. E qualquer evento pode ser o gatilho. Qualquer evento”.
O ex-presidente russo classificou as ações dos Estados Unidos e de seus aliados como uma agressão deliberada contra um Estado soberano. Em declarações posteriores, afirmou que Trump teria cometido “um erro grave” ao optar por esse caminho.
Segundo ele, a decisão colocou cidadãos americanos em risco potencial. Medvedev também ressaltou o peso simbólico da morte do líder religioso iraniano, apontando que ele era considerado uma referência espiritual para cerca de 300 milhões de xiitas ao redor do mundo. “Agora ele também é um mártir. Você pode imaginar o resto”, declarou.
Na visão do russo, a consequência direta seria o fortalecimento da determinação iraniana em desenvolver armas nucleares.
Rússia, Irã e o tabuleiro estratégico
O Irã mantém relações próximas com a Rússia, inclusive no campo militar. Nos últimos anos, drones iranianos foram utilizados por forças russas no conflito contra a Ucrânia, guerra que já ultrapassa quatro anos de duração, embora tenha sido inicialmente descrita como uma operação de curta duração.
Após os ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel, o governo russo classificou a ofensiva como “um ato premeditado e não provocado de agressão armada contra um Estado soberano e independente membro da ONU”. Moscou também alertou para riscos humanitários, econômicos e até radiológicos, caso a escalada continue.
Medvedev é conhecido por adotar um tom mais agressivo que o próprio Putin em declarações públicas. Em outra fala recente, ele comentou sobre a hipótese de os Estados Unidos tentarem atingir o presidente russo da mesma forma que fizeram com o líder iraniano.
“Não existe cura mágica para ações de idiotas completos”, afirmou. Em seguida, acrescentou que os Estados Unidos temem a Rússia e conhecem o custo de um conflito nuclear. Segundo ele, se uma guerra desse tipo ocorrer, Hiroshima e Nagasaki pareceriam “brincadeira de criança em uma caixa de areia”.
Enquanto isso, Trump já havia mencionado anteriormente que qualquer tentativa de assassinato contra ele teria consequências severas. Caso morra durante o mandato, a Constituição dos Estados Unidos determina que o vice-presidente, JD Vance, assuma o comando do país.
As declarações de ambos os lados ampliam a tensão diplomática em um momento em que o equilíbrio internacional parece cada vez mais instável. Entre ataques militares, alianças estratégicas e ameaças nucleares, o discurso político se tornou tão explosivo quanto os mísseis mencionados nas falas oficiais.