Brasil pode ser invadido pelos EUA, como aconteceu com a Venezuela?

📅 29/05/2026 👁️ 11 visualizações 🏷️ Variedades
Brasil pode ser invadido pelos EUA, como aconteceu com a Venezuela?

O governo dos Estados Unidos anunciou que vai classificar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas. A decisão coloca as duas facções brasileiras em categorias usadas contra grupos como Al-Qaeda, Estado Islâmico e o Cartel de los Soles, ligado ao antigo regime venezuelano de Nicolás Maduro.

Na prática, o rótulo não é apenas simbólico. Ele abre caminho para sanções, bloqueio de bens, restrições financeiras e ações contra pessoas, empresas ou organizações suspeitas de manter vínculos com esses grupos. É como se Washington colocasse uma luz vermelha sobre qualquer relação econômica, logística ou operacional que possa alimentar as facções.

A medida também reacendeu uma pergunta sensível: se os Estados Unidos usaram o discurso do narcoterrorismo antes de agir contra a Venezuela, algo parecido poderia acontecer no Brasil?

O paralelo com a Venezuela

A comparação ganhou força porque, no caso venezuelano, os Estados Unidos associaram o governo de Nicolás Maduro ao narcotráfico e ao Cartel de los Soles. Em janeiro de 2026, uma ofensiva norte-americana terminou com a captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, levados para Nova York sob acusações ligadas ao tráfico de drogas.

Mas, segundo Maurício Santoro, doutor em Ciência Política pelo Iuperj e colaborador do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha do Brasil, há uma diferença central entre os dois cenários.

“Na Venezuela, o governo americano não reconhecia Nicolás Maduro como presidente da República, e abriu processo criminal contra ele, acusando-o de ser o chefe de uma quadrilha. Em contraste, não há acusações dos EUA contra Lula”, afirma.

Ou seja, embora a linguagem usada pelos EUA tenha semelhanças, o contexto político e jurídico é diferente. No caso brasileiro, a acusação recai sobre facções criminosas, não sobre o governo federal.

Ainda assim, a classificação amplia o poder de ação dos Estados Unidos. Pessoas ligadas ao PCC ou ao CV que viajem ao território norte-americano podem ser presas. Empresas com ativos nos EUA também podem ser atingidas caso sejam acusadas de manter relações com essas organizações.

Pressão política e risco militar

Para Uriã Fancelli, mestre em Relações Internacionais pelas universidades de Estrasburgo e Groningen, o discurso do narcoterrorismo pode funcionar como instrumento de pressão. Segundo ele, o objetivo dos EUA no Brasil não seria derrubar o governo, mas forçar um alinhamento maior com a agenda de Washington.

“Então, se na Venezuela Misterios do Mundo. Cópias não são autorizadas.